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Pomar que dá bonecos


A maternidade apurou-lhe o jeito para fazer bonecos, acabando por fazer disso negócio. Ana Garcia Martins esteve à conversa com a designer Rosa Pomar.

Rosa Pomar, 33 anos, lançou-se à descoberta da blogosfera em 2001, quando a palavra ainda não fazia parte do vocabulário nacional. Na altura, um curso de artes levou-a até Nova Iorque por uns meses, e o blogue Ervilha Cor de Rosa foi a melhor maneira que encontrou para contar a sua vida do outro lado do oceano a amigos e familiares. Pelo meio, e porque se diz “uma rapariga que sempre foi prendada”, continuava a fazer experiências com tecidos.

Em 2003, e já de volta a Lisboa, foi mãe pela primeira vez. E os bonecos começaram a ganhar contornos de negócio. “Comecei a mostrar no blogue as coisas que fazia para a minha filha, e recebia muitos comentários a perguntar porque é que não as vendia. Nessa altura, nos Estados Unidos, estavam a aparecer muitas pessoas que faziam coisas parecidas e que expunham o seu trabalho na net, e eu decidi importar esse modelo. Isso permitiu-me ficar em casa com a minha filha, fazer algo que me dava muito prazer, e ainda ganhar algum dinheiro com isso”, conta a artista.

O mestrado em História Medieval ficou de lado, vencido pela paixão dos tecidos que dão forma aos seus bonecos de formas estranhas. “Uma das coisas em que gasto mais tempo é a investigar a história do têxtil noutros países, e os bonecos acabam por materializar esse meu interesse. Vou buscar os tecidos a todo o lado, onde eles estiverem. Muitos são americanos, japoneses e africanos. Se houvesse tecidos melhores em Portugal também os usava, mas não há”, lamenta.

Desde 2004, altura em que começou a levar o negócio mais a sério, já vendeu mais de 800 bonecos. Cada um deles é uma peça única, numerada e resultado de muitas horas de trabalho. E nem o preço (entre 55 e 120 euros) intimida a clientela: cada vez que anuncia novos bonecos no blogue, são vendidos em menos de nada. Como não trabalha por encomenda, os interessados têm de ser rápidos.

E há-os de todos os lados. O boneco número 50, por exemplo, foi vendido para as Caraíbas. “Quando comecei, só recebia pedidos dos grandes centros urbanos. Hoje em dia mando coisas para terrinhas de Portugal das quais nunca ouvi falar”, diz Rosa Pomar. Para além do blogue, os bonecos também estão à venda em algumas lojas nacionais e internacionais.

E porque a maternidade lhe parece dar ideias, com o nascimento da segunda filha deu início à comercialização de outro produto: porta-bebés em tecidos africanos. “Era uma coisa que já existia nos Estados Unidos desde os anos 70, e eu inspirei-me no modelo. Não foi uma ideia nascida do zero, como os bonecos”. A última novidade, inaugurada em 2008, é uma retrosaria online. “Recebia muitos mails a perguntar onde é que ia buscar os tecidos, por isso abri esta mini-loja que tem uma escolha muito pessoal de coisas que gosto muito”. Para breve está pensada uma loja própria. “A minha casa está a tornar-se demasiado pequena para isto”.

Onde comprar: www.aervilhacorderosa.com/shop
Quer, R. Agostinho Neto, 35, loja B, Quinta das Conchas, 21 757 1066.

terça-feira, 14 de Abril de 2009



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