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A Tasca do Vítor


Foi uma viragem de 180º para o chef Vítor Sobral. Mudou-se do Terreiro do Paço para Campo de Ourique, onde acaba de abrir uma petisqueira. Catarina Sacramento foi espreitar a Tasca da Esquina. Gonçalo F. Santos fotografou.

Esclareça-se já este ponto: isto não é uma tasca. O nome surgiu na brincadeira, mas por graça acabou por ficar. Tem toalhas de papel nas mesas, sim, mas as semelhanças terminam aí. É o novo restaurante de Vítor Sobral e chama-se Tasca da Esquina. Mas está igualmente a milhas do seu antigo restaurante, o Terreiro do Paço. Na dimensão, na sofisticação da cozinha e, mais importante, nos preços.

Abriu a semana passada, num ponto-chave de Campo de Ourique. Naquela espécie de largo onde desembocam todas as ruas importantes das redondezas: a do Patrocínio, a Ferreira Borges, a Saraiva de Carvalho e a Domingos Sequeira. Se o bairro tivesse coração, era ali que bateria.

Sobral procurava isso: um restaurante com espírito de bairro, só que com petiscos ao seu estilo. “Não era para ser um mega restaurante, mas pequeno, simples e informal”, explica. Nota-se o cuidado nos detalhes: cadeiras forradas, luz discreta e paredes verde-zen. Ainda que o espaço mais não seja do que uma sala (para fumadores), com várias janelas voltadas para a rua e outras duas mesas altas no corredor da entrada, em frente ao balcão.

Na ementa, o forte é a longa lista de petiscos. Mais de 20, em mini-doses, quase todas entre 4 e 9 euros. Embora não necessariamente na versão tradicional. Por exemplo, há moelas de tomatada, mas também moelas fritas com maçã. “Uma abordagem mais regional e outra mais contemporânea”, nas palavras de Sobral. E o mesmo se aplica às codornizes com cerejas, ao requeijão com pimentos e poejos ou aos fígados de aves de escabeche com pêra. Ou seja: as impressões digitais do chef ainda são bem reconhecíveis, apesar de a alta cozinha não morar aqui.

“Não vamos deixar de fazer a nossa cozinha, mas adaptámo-la a produtos menos caros”. Embora quem queira subir a fasquia também encontre no menu ostras, amêijoas, lingueirão ou camarão. Pode ainda compor a sua própria degustação, à medida do estômago e da carteira: sopa + 3 petiscos (14,50€), 5 petiscos (19,50€), 6 + sobremesa (26,50€) ou 7 + queijo e sobremesa (32,50€).

A mesma lógica serve para os vinhos, que são listados por preços (copos de 2,50 a 7,50 e garrafas de 8,50 a 28,50). Tudo até à meia-noite.

Está visto que não é este o sucessor do Terreiro do Paço por que muitos esperavam. A crise não foi meiga com os restaurantes caros de Lisboa e o ex-restaurante de Sobral não foi excepção. A clientela vinha a diminuir e a tacada final foi o encerramento do trânsito na Praça do Comércio. Resultado: fechou as portas no final de 2008 e há cada vez menos esperanças de que possa reabrir.

Mas também não foi a crise que o levou a este projecto. Foi uma mudança de direcção assumida, diz. “Desde o Peixe em Lisboa, senti necessidade de ter um espaço com maior proximidade com o cliente”. E o Terreiro do Paço? “Não sei se volto. Mais tarde ou mais cedo abro um espaço onde darei continuidade ao trabalho que fazia aí.” Por outro lado, lembra “os chefs não sabem só cozinha sofisticada. Com técnica, bons produtos e a minha equipa, é possível fazer tudo. Até uma roulotte de bifanas”.

Tasca da Esquina. R Domingues Sequeira, 41 C (Campo de Ourique). 21 099 3939. Ter a Dom, 12.30-15.30 e 19.30-00.00.

terça-feira, 23 de Junho de 2009



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