Os últimos discos da pianista e cantora canadiana Diana Krall andam pejados de múltipla e luxuosa instrumentação, mas Lisboa vê-la-á num formato muito próximo daquele com que irrompeu pela indústria musical, vai para 16 anos. Ou seja, em vez de um mar de gente em palco, o Campo Pequeno vai albergar somente Krall, o guitarrista Anthony Wilson, o baixista Ben Wolfe e o baterista Karriem Riggins. Foi em despreparos idênticos, que remetem directamente para o classicismo das formações de jazz e e da canção popular americana de meados do século passado que Diana Krall iniciou, em 1993, uma rápida ascensão no estrelato musical. Uma ascensão crucial para o ressuscitar do jazz-como-canção-com-voz-humana em termos de fenómeno de massas.
Pelo lado criativo, o género esbarrou contra a parede lá pelos anos 60, e parece que as únicas soluções comercialmente viáveis estão explicadas na dúzia de álbuns já lançados por Krall: variações mais ou menos virtuosas, mais ou menos opulentas, de um modelo cristalizado.
Um modelo que tanto pode ir da música de Nat King Cole a Burt Bacharach à do marido Elvis Costello, e que no registo deste ano, Quiet Nights, se atira várias vezes à bossa nova. O que significa que Lisboa dificilmente escapará à audição de “Esse Teu Olhar” de Tom Jobim, onde Diana Krall arrisca a cantar em português.
Jorge Manuel Lopes
terça-feira, 6 de Outubro de 2009

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