Ora então, 2009 menos 50 anos, isso dá... ... 1959. Mais precisamente, 29 de Outubro de 1959, quando Astérix, o gaulês, surgiu nas páginas do primeiro número da revista Pilote. Argumentista: René Goscinny. Desenhador: Albert Uderzo.
E o sucesso foi imediato?
Sim. O primeiro álbum de Astérix , juntando as pranchas que foram saindo semanalmente na Pilote, foi lançado em 1961, com uma tiragem inicial de seis mil exemplares. O segundo álbum, A Foice de Ouro, lançado um ano depois, já mais do que dobrava esse número: 15 mil exemplares de tiragem. O primeiro álbum do século XXI, Astérix e Latraviata, teve uma tiragem de oito milhões de exemplares.
Uma máquina de fazer dinheiro, portanto.
Oh, sim, por Toutatis. Tanto mais que não são só os livros: é o merchandise, é o megaparque Astérix nos arredores de Paris e, nos últimos tempos, têm sido os filmes em imagem real, também eles um sucesso de bilheteira.
E qual é o segredo?
É um pouco como a poção mágica do druida Panoramix: ninguém conhece a receita completa. O conceito de partida é excelente, com a pequena aldeia gaulesa cercada de romanos, mais o herói minúsculo e o seu contraponto em Obélix, o brutamontes sensível, fanático de javalis. Depois, há os trocadilhos, os anacronismos, o transporte da actualidade para o ano 50 a.C., capaz de cativar tanto crianças como adultos. Além disso, nos tempos de glória, Uderzo era um desenhador fantástico, capaz de dar corpo à criatividade transbordante de René Goscinny e à sua galeria de personagens inesquecíveis.
Goscinny e Uderzo hoje em dia devem estar riquíssimos, não?
Bom, Goscinny está morto. E muito boa gente diz – com 90% de razão e 10% de injustiça – que Astérix morreu com ele em 1977. Uderzo pegou na série sozinho e assumiu o argumento logo em 1981, e os primeiros álbuns que lançou a solo, não sendo brilhantes, não se pode dizer que envergonhassem a série.
E o que aconteceu a partir daí?
Os álbuns de Uderzo passaram a envergonhar a série. Cada um foi sendo pior do que o anterior até se atingir o nível inenarrável de O Céu Cai-lhe em Cima da Cabeça (2005), onde a Gália é palco de uma luta entre... extraterrestres.
Disse “extraterrestres”?
É verdade. Aliás, todo o Astérix de hoje em dia parece oriundo de um outro planeta. Tanto a nível criativo como empresarial: Uderzo vendeu os direitos da série à editora Hachette e envolveu-se com a sua própria filha num conflito judicial. Estes gauleses também são loucos.
terça-feira, 27 de Outubro de 2009

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