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Rihanna

Rated R Def Jam/Universal
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Em Março deste ano, o que se via de Rihanna na net e nos jornais era a foto do estado em que ficou depois de ter sido espancada pelo namorado Chris Brown. A foto voou da polícia de Los Angeles para os media, a carreira do bravo Brown voou para a lixeira, Rihanna seguiu a sua vida, andou pelo mundo, reinventou o penteado e tirou milhares de fotos com Ellen Von Unworth que merecem eclipsar a foto do infame espancamento. E fez um disco brilhante mais ou menos sobre o assunto – e as fotos, desafiadoras e/ou eróticas, vêm com o CD. O R de Rated R tanto pode ser de Rihanna como de “revenge” (vingança). A capa, estilosa e cromada como os anos 80, mostra Rihanna camuflada de Grace Jones. É uma capa que combina dureza, prazer pelo artifício e a intenção de dar a volta por cima, e lá dentro as coisas não são diferentes. Rated R vai a muitos sítios em termos sonoros e de estados de alma, ligado por texturas espessas e ritmos geralmente baixos. Duas canções apoderam-se do latejar dubstep levado de Londres pela dupla Chase & Status. Um compositor e produtor americano mas com evidentes influências europeias, Ne-Yo, traz uma balada ansiosa (“Stupid in Love”) e o soberbo e “difícil” single “Russian Roulette”, com o seu ritmo a citar “Teardrop” dos Massive Attack e um nível de violência emocional raro no r&b. “Russian Roulette” forma com o tema seguinte, “Fire Bomb”, o núcleo vital de Rated R. “Fire Bomb” cheira a morte e a gasolina, tem uma guitarra (as guitarras eléctricas em uivos estridentes são uma peça essencial do álbum) omnipresente que soa ao motor de um bombardeiro prestes a atacar, e tanto pode remeter para bombistas suicidas como para uma alegoria sobre uma relação que acaba trágica e com estrépito. Um álbum corajoso.
Jorge Manuel Lopes
terça-feira, 1 de Dezembro de 2009

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