Foi aos 18 anos que Emanuel Almeida teve a primeira Vespa, uma P125X, de 1980. Em dez anos vendeu essa, comprou outras, mas nunca mais se afastou da marca italiana. E foi mesmo isso que o levou a dar início a um negócio ligado ao mundo das scooters. “Percebi que não havia ninguém que reparasse Vespas. Como sabia alguma coisa de mecânica, comecei por reparar a minha. Depois, os amigos que tinham Vespas também começaram a pedir para arranjar as deles, e acabei por arranjar uma pequena garagem”. Foi o início da Old Scooter. Os 30 m2 em Caneças multiplicaram-se recentemente por dez, na zona da Expo. “Tinha muito trabalho na área do restauro e manutenção de Vespas, por isso fiz uma sociedade com dois amigos e decidimos abrir um espaço maior”. Pela nova Old Scooter espalham-se Vespas e Piaggios em todos os estados: sem faróis, com a tinta descascada, com o assento a pedir reparação, ou tão bem restauradas e brilhantes que parecem novas. Não há nenhuma a estrear, porque são máquinas de mudanças, modelos que já não se fabricam. As únicas scooters novinhas em folha são as da marca LML, motos produzidas na Índia e que são réplicas das últimas XP da Piaggio (2500€).
O custo e o tempo de restauro de uma Vespa depende muito do estado em que ela chega à loja. Qualquer coisa entre os três e os seis meses, e os 2500€ e os 5000€. Uma reparação pequena leva entre dois e três dias. “Qualquer vespa pode ser reparada, mas às vezes pode demorar muito tempo, porque há peças muito raras e difíceis de encontrar. Há muita gente a lembrar-se que tem uma moto parada em casa, e agora lembraram-se que é prático e económico e estão a recuperá-las”, explica Emanuel (Manel, para os amigos). A maior parte das peças vêm de Itália, Alemanha e Inglaterra, os países com maior capacidade de reprodução e também onde se encontram os maiores núcleos de coleccionistas.
Na Old Scooter, para além da venda e restauro de scooters, também é possível alugar alguns modelos ou fazer uma personalização da moto. É só escolher o desenho e aplicá-lo em vinil, nas partes laterais (50€). Há ainda uma zona lounge, onde é possível tomar um café e ler revistas e livros sobre Vespas. Por fim, a zona de loja, com roupa específica para andar de moto (como a da Armadillo), corta-ventos, t-shirts ou capacetes. O objectivo é apostar mais na roupa para mulher porque, curiosamente, são elas que têm frequentado mais a loja. “Têm exigências mais específicas e vamos tentar satisfazer esses pedidos”.
A escolha da marca Vespa não foi casual. Emanuel diz que têm “outro charme”. “É algo que vem desde o início da marca. Sempre foram uns génios a comunicar o que têm de melhor: serem práticas, económicas, terem um avental para não apanharem chuva, e poderem ser conduzidas pelas senhoras com saia. Para além disso são muito fiáveis”.
Apesar de a nova lei das 125cc permitir que qualquer um que tenha carta de ligeiros possa conduzir também scooters, Emanuel recomenda meia dúzia de aulas a quem não tem experiência. Para que não aconteça o mesmo que ao cliente que deu um tombo da moto assim que saiu da loja e teve de voltar atrás para a deixar para reparação. Azares da vida.
R. Vale Formoso de Cima, 77A (Marvila), 21 409 6186. De Seg. a Sex. das 9.00 às 13.00 e das 14.30 às 19.00. Sáb. das 9.30 às 13.30.
terça-feira, 12 de Janeiro de 2010

Veja também


O que pensa? Coloque a sua opinião