São nove da noite. Sabe onde estão os seus filhos? Se forem tardo-adolescentes e tiverem algumas feridas para sarar – ou estiverem atrás de quem as quer sarar – é provável que estejam no Coliseu dos Recreios à espera dos Billy Talent, banda canadiana entre o pop-punk e o emo, muito apreciada por esse segmento de público. Basta ver o entusiasmo tipicamente teenager espoletado pela notícia do concerto e imortalizado pelos fãs em fóruns da internet.
Imagine-se então que uma mágoa é uma dor de cabeça. Os Billy Talent são o Brufen 200 do emo. Não curam mágoas assim tão grandes e tomam-se um bocado indiscriminadamente, sem haver muita necessidade de fazê-lo. Se a situação fosse realmente séria, das duas uma: ou se aumentava a dose ou se tomava outra droga qualquer. Mas não. No seu melhor, os Billy Talent são uma espécie de Green Day mais emocionais e com menos talento para escrever grandes canções. A própria voz remete para isso: Benjamin Kowalewicz mais parece um Billie Joe – vocalista dos Green Day – com voz esganiçada.
Mas não se preocupe muito. Se os seus filhos só precisarem de uma dose de Billy Talent é provável que o problema não seja grave. É justamente o tipo de banda que esquecerão quando acabarem o liceu ou a faculdade. Talvez esbocem um sorriso quando ouvirem falar neles, mas não vai ficar para sempre. Também ninguém se lembra do Brufen que tomou por causa daquela dor de cabeça há quatro ou cinco anos. E ao menos não andam metidos na droga. Ou no Paracetamol.
Rodrigo Nogueira
terça-feira, 19 de Janeiro de 2010

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