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Prostituição e sida em duas peças


São duas peças independentes uma da outra, mas com a mesma temática queer. Velocidade Máxima, de John Romão e Mickael de Oliveira, com estreia lisboeta marcada para esta quarta-feira, 20, no espaço Negócio, da galeria Zé dos Bois. E Uma Visita Inoportuna, de Copi, estreada na semana passada e em cena no Teatro Municipal de Almada até 7 de Fevereiro.

Velocidade Máxima compara a lógica de difusão das artes portuguesas à prostituição, porque, alegadamente, os criadores só conseguem entrar no circuito das salas mais importantes se se venderem aos programadores e fizerem amizade com os jornalistas e críticos certos. Foi apresentada pela primeira vez em Agosto passado, no Citemor, Festival de Teatro e Cinema de Montemor-o-Velho.

Três prostitutos (dois homossexuais, um “hetero”) contam as suas histórias de vida. No fim, saem bem vistos: “O valor deles é o de se abrirem ao novo e arriscarem, enquanto os programadores só apostam no que é seguro e conhecido do público”, diz John Romão.

O texto foi escrito a partir dos relatos reais daqueles prostitutos e é parcialmente inspirado na vídeo-instalação Voracidade Máxima, da dupla de artistas plásticos Maurício Dias e Walter Riedweg.

Uma Visita Inoportuna, encenada pelo francês Philip Boulay, é uma comédia de morte, com um doente de sida num quarto de hospital que recebe visitas de estranhas personagens: um jornalista, uma cantora de ópera, um médico lunático, um amigo gay e uma enfermeira neurótica.

A personagem central é Cirilo (Diogo Dória), um alter-ego do autor do texto – o desenhador e dramaturgo Copi, argentino exilado em Paris que morreu com sida, em 1987. “Não lhe chamaria uma comédia gay, mas claro que a sexualidade aqui tem muita importância e a extravagância, muito própria de Copi, está presente”, explica o encenador à Time Out. “O que ele aqui faz é transformar o trágico da vida em comédia de morte”, classifica.

Com a homossexualidade masculina muito estereotipada, nos maneirismos e nas práticas relatadas, Uma Visita Inoportuna tem, no entanto, um aspecto precursor que é o de chamar a atenção para o flagelo da sida em África.

Velocidade Máxima, no Negócio/ /ZDB. R de O Século, 9 (porta 5). 21 343 0205. Qua-Dom, 21.30. Até 31 de Janeiro. Bilhetes: 7,5€.

Uma Visita Inoportuna, no Teatro Municipal de Almada. Av. Egas Moniz. 21 273 9360. Qua-Sáb, 21.30; Dom, 16.00. Até 7 de Fevereiro. Bilhetes: 5 a 11€.

Bruno Horta

terça-feira, 19 de Janeiro de 2010



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