Os Sunn O))) são bem capazes de ser a melhor banda de metal que apareceu nos últimos dez anos (mais coisa, menos coisa). Não era difícil defender esta teoria por volta de 2005, quando lançaram o épico Black One, e mostraram que eram muito mais que fãs de Earth a tocar o drone doom – subgénero do metal, negro e sufocante, ancorado em notas graves sustidas até à exaustação – dos seus ídolos. Mas quando lançaram Monoliths & Dimensions, no ano passado, esta superioridade tornou-se mais óbvia que nunca.
E quando 2009 chegou ao fim, o disco apareceu em tudo quanto era lista de melhores do ano, das revistas mais fora (como a Wire) às mais conservadoras publicações britânicas (como a Mojo), passando por sites que funcionam como uma espécie de bíblia indie (sim, a Pitchfork). Isto sem falar das publicações da especialidade. Um feito notável para um projecto que começou quase como uma piada. Para dois fãs de música extrema trajados com robes negros, como os membros de um qualquer culto.
“A unanimidade que se gerou em torno da banda foi algo completamente inesperado. Não consigo imaginar maior elogio”, admite Stephen O'Malley, que juntamente com Greg Anderson constitui o núcleo duro do grupo. “E não deixa de ser curioso notar que isto ocorre num momento em que a indústria musical se encontra às portas da morte. Talvez seja por isso que o valor de alguma música mais esquisita começa a ser reconhecido.”
Talvez seja por isso. Mas talvez faça mais sentido olhar para o próprio Monoliths & Dimensions do que para quaisquer factores externos, para compreender a unanimidade que se gerou em torno dos Sunn O))). Tudo porque o grupo abriu a sua música a novos elementos e sonoridades, afastando-se do drone puro e duro do passado e do quase-black metal de Black One. A dada altura ouvimos instrumentos acústicos, cordas e sintetizadores, e percebemos estar perante uns Sunn O))) diferentes.
Resultado: terça-feira, no LX Factory, não estarão apenas os metaleiros mais duros. Arriscamos apostar que serão uma minoria. O’Malley concorda. “Hoje vemos nos nossos concertos desde gajos metaleiros à antiga até estudantes de belas artes e intelectuais de blazer e óculos.” E recorda o concerto de Maio passado em Barcelona, durante o festival Primavera Sound. “Eu e o Greg estávamos sozinhos a tocar o The Grimmrobe Demos, o nosso primeiro disco, e temos um mar de putos indie à nossa frente. Estavam ali milhares de pessoas, em transe, a ouvir drones. Não sei que drogas tinham tomado, mas foi fantástico.” Terça-feira, com um disco mais ambiental e abrangente, num concerto organizado pela ZdB em Lisboa, o cenário não deverá ser lá muito diferente.
Luís Filipe Rodrigues
terça-feira, 26 de Janeiro de 2010

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