Teen Dream. O título do terceiro álbum dos Beach House diz tudo. São dez canções pop sonhadoras e adolescentes. Dez temas sobre sexo e amor, com letras que podiam ter sido tiradas de um qualquer diário, e sem vestígios do cinismo com que a maior parte das pessoas com os 20 e muitos anos destes músicos encara a vida. Até aqui, nada de novo. Mas basta começar a ouvir o novo disco para perceber que estes são uns Beach House diferentes. Esqueçam o dream pop colado à memória dos Galaxie 500 e dos Mazzy Star dos primeiros dois álbuns. Digam adeus aos órgãos melancólicos e às caixas de ritmos, às guitarras em slide e às vozes afectadas. Com uma produção mais cuidada e expansiva, e com um maior cuidado com os arranjos, este é o disco mais complexo dos Beach House. ´E é mais grandiloquente que os seus antecessores,escritos com o coração na lapela e demasiado sensíveis.
Não é que Victoria não se exponha em temas como esse hino devocional que é “Take Care”, em “Lover of Mine”, com a sua synth- -pop afectada, ou nessa épica medição sobre o inatingível que é “Norway”. Mas a sua fragilidade não é tão aparente.
É difícil não pensar em Merriweather Post Pavilion, dos Animal Collective, quando ouvimos este Teen Dream. Não que ambos os álbuns tenham muitos pontos em comum (não têm), mas sim porque, tal como a obra-prima dos Animal Collective marcou 2009 assim que o ano começou, obrigando os melómanos a passar o ano em busca de um disco ao seu nível (sem grande sucesso, diga-se de passagem), também o novo título dos Beach House eleva demais as expectativas para o resto do ano. Agora é esperar pelo seu final.
Luís Filipe Rodrigues
terça-feira, 26 de Janeiro de 2010

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