Para chegar ao espaço de trabalho de Vera Manzoni é preciso ser perscrutado pelos olhares sinistros das pacientes do Hospital das Bonecas. A entrada é por aí, seguida de uma escalada até ao terceiro andar. Lá em cima, a designer de jóias abre a porta, olhos azuis gigantes, avental preto à roda da cintura, e apresenta-nos o seu mundo com vista para a Praça da Figueira e para o castelo de S. Jorge. Vera tem 32 anos e sempre esteve ligada à joalharia. Estudou ourivesaria na escola António Arroio, depois passou pelo AR.CO e, por fim, mudou-se para o Porto, para tirar o curso superior de joalharia na única escola disponível no país. Há quatro anos juntou-se a outros artistas no espaço Plum, e é aí, entre paredes com cábulas e máquinas de aspecto estranho, que se dedica agora a transformar em jóias efectivas aquilo que os outros trazem apenas projectado na mente ou rabiscado num papel.
A designer faz peças desenhadas por encomenda. Evita as imitações, as cópias descaradas de uma jóia avistada num qualquer pescoço famoso de Hollywood. Prefere criar peças únicas, pensadas para uma pessoa em específico, que envolvam uma história e sejam especiais.
“Gosto de fazer peças versáteis. O meu estilo são coisas chiques e práticas. São peças especiais a nível sentimental, as pessoas fazem parte delas desde o início, envolvem-se. São pensadas para serem feitas para uma pessoa, por isso têm muito valor simbólico”, diz Vera Manzoni. A personalização passa por pequenos pormenores que marcam a diferença. É possível mandar fazer uma pulseira discreta e minimalista com o nome dos filhos, um fio com um porta-retratos ou anéis com uma inscrição feita com a letra de quem oferece. Peças trabalhadas com pratas, pedras semi-preciosas e ouro branco ou amarelo.
Quem tiver em casa peças que já não use, pode deixá-las nas mãos da designer. “Podem modificar as coisas que não usam ou que já estão cansadas de ter. Também tenho o caso de pessoas que se divorciam e transformam as alianças noutra coisa qualquer. Estamos numa época em que as pessoas se cansam muito das coisas, e essa ideia de poder alterar tudo é muito contemporânea.”
As peças devem ser encomendadas com um prazo mínimo de duas semanas. Há brincos a partir de 20€ e anéis de noivado que podem chegar aos 2000€. “Tudo depende do preço e do material, mas procuro fazer coisas acessíveis. Tenho de ir ao encontro daquilo que as pessoas gostam e podem adquirir.”
Praça da Figueira, 7, 3º direito, 21 343 2322. De segunda a sábado, das 10.00 às 18.00
terça-feira, 26 de Janeiro de 2010

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