Há quatro anos, o grupo Teatro Reflexo, que trabalha sobretudo na zona de Sintra, estreou uma peça chamada Cock Tale. Em registo de sitcom, a comédia estendia-se por duas horas e 15 minutos, a um ritmo alucinante, e quando saiu de cena deixou saudades em quem a tinha visto. O público pediu reposições, pediu uma segunda oportunidade. Mas de repente, o seu autor, Michel Simeão, teve uma ideia: em vez de voltar a fazer o mesmo espectáculo, porque não pegar na história e dar-lhe uma continuação? É isso que acontece em Cock Tale – A Série, que se estreia esta sexta-feira, às 22.00, no Espaço Cultural Reflexo, em Sintra. E não é só por uma noite. Desta vez, a ideia é roubar à televisão a sua lógica de funcionamento e apresentar teatro em episódios. Ou seja, continuar com o Cock Tale por muito tempo, mas sempre com novidades e desenvolvimentos na história das personagens. Na primeira sexta-feira de cada mês estreia um novo episódio, que depois repete durante quatro semanas até à estreia de um novo, no mês seguinte.
A inspiração na famosa série brasileira Sai de Baixo é flagrante e assumida. Não só no tipo de humor chamado de besteirol e no uso de um discurso coloquial e vivo, mas também na forma como o espectáculo é encenado, não sendo. “Os actores lêem e decoram muito bem o texto antes de entrar em palco, mas não o encenam”, explica Michel Simeão, “e têm de improvisar e testar soluções já em cena, perante a presença do público”, continua o autor. “Há aqui um fascínio e uma vontade intencional de mostrar o desmanchar da cena, criar empatia com o público e de sentir a pulsação real do espectáculo.”
Esta não é a primeira vez que o Teatro Reflexo arrisca numa experiência teatral diferente. No Verão de 2008, e em parceria com a Câmara Municipal de Sintra, o grupo apresentou Crime na Casa Museu, um espectáculo interactivo que levava o público a percorrer a Casa Museu Leal da Câmara durante a noite, na tentativa de descobrir o autor de um homicídio. Desta vez, tema policial à parte e sem ter de sair do lugar, o objectivo é fazer rir, com um tipo de humor “assente em personagens caricaturadas e em temas como o sexo e a religião”.
Há três mulheres em cena que são “a cabeça do espectáculo”, conta Michel, que também assina o texto. “A Catarina é a feminista do grupo, a Lúcia é a personagem central, uma mulher tão religiosa que se considera a última descendente da Irmã Lúcia. Depois há a Zita, que é um doce, muito querida, mas na verdade é uma pequena lolita depravada e ninfomaníaca, e há ainda um homem, o Eduardo, que vive com elas, mas não tem sexo porque foi capado.” É daí que vem o título Cock Tale , uma expressão que, à letra, significa “o conto da pila”. Na história, a expressão tem a ver também com cocktail, que é o nome que a personagem masculina dá às poções mágicas que prepara para conquistar as mulheres. “Ele é um alquimista, é o verdadeiro geek”, diz Michel. “O problema é quando as ditas poções não têm o resultado que ele pretendia...”
Para saber mais, só mesmo seguindo os próximos episódios.
‘Cock Tale – A Série’ estreia-se esta sexta-feira, às 22.00, no Espaço Reflexo. Bilhetes a 5€.
terça-feira, 2 de Fevereiro de 2010

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