Time Out Lisboa logo
   Versão BETA







Vox Pop Time Out

Já conhece a Casa das Histórias?


Não


  

Destaques

Destaques

Destaques
Adicione aos Favoritos


Print this page   Send to a friend
Arctic Monkeys


Campo Pequeno
Quarta-feira

Em teoria, nada fazia prever que os Arctic Monkeys continuassem por cá em 2010. Isto em teoria, claro. Apareceram como um furacão e foram, do pé para a mão, aclamados como a next big thing da música britânica. Depois podiam ter desaparecido, como tantas outras outras bandas. Mas não. Whatever People Say I Am, That's What I'm Not, lançado no início de 2006, bateu recordes de vendas para um primeiro disco, e em 2010 continuam por cá.

Deve haver algo de especial neles. Será o facto de, apesar de não trazerem nada de novo ao mundo, não soarem a nenhuma outra banda em especial? Talvez, mas não é bem. De terem uma secção rítmica sólida, rápida e acutilante que os leva a sítios a que outras bandas indie britânicas bafientas e conservadoras nunca sonhariam ir – nomeadamente às pistas de dança, com ritmos verdadeiramente dançáveis? É possível, mas não explica tudo. A resposta está nas letras de Alex Turner, que respondem à pergunta “poderá uma letra de canção ser poesia?” com um forte “sim”.

Turner tem um estilo verborreico, sem grandes artifícios, com linguagem e expressões correntes. Debita um número anormal de palavras por minuto, apenas comparável ao de um rapper (se bem que não ao de Dizzee Rascal, com quem colaborou, muito mais fértil em termos de sílabas por segundo). As letras são algo que, à primeira vista, lhe parece sair sem grande esforço, mas se forem submetidas a um escrutínio minucioso percebe-se que há muito trabalho ali. E, acima de tudo, Turner reflecte como ninguém as angústias e problemas da sua geração. Ou pelo menos reflectia. Passou quatro anos a tornar-se incrivelmente famoso e rico ao lançar três discos bem sucedidos com os Arctic Monkeys – o último, Humbug, é de 2009. Entretanto deixou de ter 20 anos e já não pode viver a experiência da classe trabalhadora adolescente e pós-adolescente de Sheffield, nem escrever sobre isso da mesma maneira. Podia ser um problema, mas felizmente ainda consegue observar o mundo que o rodeia.

E o que é que isso interessa aos portugueses? Praticamente nada. Nenhum português se identificaria realmente com o que um puto de Sheffield tem para dizer. Especialmente este, que é tão geograficamente específico nas suas letras. O que é até bom. Ninguém liga às letras,e as pessoas que enchem as salas querem apenas saber da música. Mas mesmo sem reflectir a experiência dos seus antigos pares, ainda dá para vislumbrar a mestria de Turner na escrita de letras. E, se o concerto do Campo Pequeno tiver alguma coisa a ver com os concertos anteriores da banda em espaços como o Paradise Garage ou o Coliseu dos Recreios, há-de haver putos de todas as gerações a passar-se completamente com cada canção.

Rodrigo Nogueira

terça-feira, 2 de Fevereiro de 2010



Veja também




O que pensa? Coloque a sua opinião
Nome *
Email *
Comentário *
   
*Campo obrigatório




© 2007 Time Out Group Ltd. Todos os direitos reservados.
Ficha Técnica | Estatuto Editorial


Av. da Liberdade, nº13 - 3ºEsq. 1250-139 Lisboa
Telefone: 21.359.31.00 Fax: 21.359.31.31
e-mail: geral@timeout.pt
Empresa jornalística: 223 753 * Registo de título: 125 225
Director: João Cepeda