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iPad: ninguém sabe para o que serve, mas todos vão querer ter um


A Apple baralhou, voltou a dar, e desta vez saiu-se com o iPad, uma plataforma táctil que promete revolucionar o mundo do lazer tecnológico. Ana Garcia Martins diz-lhe tudo o que precisa de saber sobre este objecto que não é um notebook, não é um leitor de mp3, não é um e-book, mas que faz tudo ao mesmo tempo.

Onde e quanto?

A distribuição mundial do iPad está prevista para Abril deste ano, e a versão 3G para Maio. Os preços variam conforme a capacidade: 499 dólares para o modelo de 16GB, 599 dólares para o de 32GB e 699 dólares para o de 64GB. Já os modelos 3G começam nos 599 dólares e vão até aos 829 dólares. Os preços nacionais ainda são desconhecidos, mas prevê-se que haja uma correspondência directa, sem conversão cambial (ou seja, 499 dólares serão 499 euros).

Porquê a euforia?

Muito antes de se saber que trunfo tinha a Apple guardado na manga, já havia uma enorme especulação nos sites e blogues da especialidade. É essa a verdadeira magia da marca, a capacidade de pôr toda a gente a falar e a desejar um produto que ainda não conhece. “Do ponto de vista de um marketeer, o lançamento do iPad foi muito eficaz, foi uma campanha muito bem orquestrada. As pessoas já aderiram a um conceito, mesmo antes de saberem qual é. Não me lembro de ser dada tanta atenção mediática a outra empresa de tecnologia como a que é dada à Apple. A grande inovação da marca é mais excitar as pessoas do que criar produtos excitantes”, diz Jorge Borges, director de marketing da Toshiba. O iPad não é a excepção à regra. Foram centenas os blogs que, na semana passada, acompanharam em directo a apresentação do produto, feita pelo big boss da Apple, Steve Jobs. À semelhança do que aconteceu nos lançamentos do iPod e do iPhone, esperam-se filas gigantescas à porta das lojas Apple e revendedoras.

O que é que faz?

É a grande questão. É complicado resumir numa só palavra o que é que o iPad faz. Porque não é um telefone (não faz chamadas), mas também não é exactamente um leitor de mp3, um computador portátil ou um disco rígido para guardar fotografias e músicas. A designação técnica é tablet, uma plataforma totalmente táctil (teclado incluído) que permite escrever textos, aceder à internet, ler jornais, revistas e livros, jogar ou ouvir música. Para quem já tem um iPhone ou um iPod Touch, a diferença parece ser apenas nas dimensões, visto que o modo de funcionamento é semelhante. “Uma das mais valias do iPad é apoiar-se no ecossistema que já existe, o legado deixado pelo iPhone e pelo iTouch. Isso confere uma economia de escala muito interessante”, diz Jorge Borges, da Toshiba. Para Pedro Aniceto, da TB Store (loja concessionária da Apple), “o iPhone foi um equipamento revolucionário que fez alterar toda a forma como olhamos os nosso telefones, e a Apple aprendeu muito com ele. Desenvolveram-se muito as tecnologias e aplicações que hoje existem para a plataforma, bem como toda a experiência de uso de um interface multi-toque, também ela inovadora. O que a Apple fez foi pegar em todos esses aspectos e elevá-los a um nível ainda mais assombroso de desenvolvimento. O iPad é a melhor experiência jamais desenvolvida a nível de navegação web, email e leitor de conteúdos. Vai modificar a forma como fazemos as coisas de todos os dias. Corresponde a todas as expectativas criadas.” Para já, todas as aplicações disponíveis no iTunes Store – mais de 140 mil – correm no novo iPad, e prevê-se que mais sejam criadas especificamente para este aparelho.

O que é que lhe falta?

“O consumidor deseja sempre mais. No momento em que um produto muito ansiado nos chega às mãos lembramo-nos sempre de elencar mais esta ou aquela característica. O iPad deseja chegar ao maior número possível de pessoas, com as exactas características que possui e não com uma wishlist que será sempre impossível de concretizar”, explica Pedro Aniceto. Quer isto dizer que o iPad está perto da perfeição? Talvez, mas ainda lhe faltam algumas coisas. Tal como a capacidade de fazer chamadas, a instalação prévia do iWorks (um programa semelhante ao Office, que pode ser adquirido por cerca de 10 dólares), ou uma câmara. “Sobretudo para vídeo-conferências. Não digo para fazer filmes ou tirar fotos, porque não é muito prático neste formato”, defende Lourenço Medeiros, o expert de tecnologia da SIC.

Livros, filmes e jornais

Entre as várias funcionalidades do iPad, uma das mais apregoadas é o ecrã de 9,7 polegadas, ideal para ler livros e ver filmes. O problema é que, para já, só é possível fazer download de uns e de outros nos Estados Unidos, através do iTunes Store e do iBooks, respectivamente. Uma falha que terá de ser corrigida quando o produto começar a ser comercializado noutros continentes. “Não tenho dúvida alguma que essa tendência é irreversível. Um dos aspectos mais interessantes da revolução digital que o iPad promete é acelerar a mudança para o digital do media tradicional tal como o conhecemos”, diz Pedro Aniceto. O jornal New York Times já disponibilizou uma versão especial para o iPad, e adivinha-se que muitos mais o venham a fazer. Incluindo em Portugal. “Já recebi muitos pedidos de informação sobre as questões técnicas mais densas, provenientes de muitos títulos do mercado editorial português. A questão não é ‘se’, é muito mais ‘quando’.”

O design

O iPad é mais uma a juntar às várias masterpieces da Apple. Com menos de 700 gramas, 24 centímetros de altura e 1,2 cms de espessura, é um pouco menor que uma folha A4. A bateria pode aguentar até dez horas, e estarão disponíveis vários acessórios, como capas ou teclados exteriores. “Nos próximos meses assistiremos a um longo desfile de acessórios iPad compatíveis. Tal como no iPod e no iPhone, a capacidade de liderança da Apple em termos de desenvolvimento de tendências deixará uma fortíssima marca na comercialização do iPad”, garante Pedro Aniceto.

terça-feira, 2 de Fevereiro de 2010



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