Era uma vez um reino longínquo onde as famílias de aldeões se reuniam à volta dos fornos para cozer pão. Juntos atiçavam o lume com troncos de lenha. Enquanto esperavam que o fogo atingisse a temperatura ideal, punham a cozer umas partes da massa de pão muito fininhas, bem espalmadas, que estavam ao lume menos de dois minutos e saiam logo a estalar.
Não, não é a história da pizza, mas deve ser uma prima afastada. Foi assim que nasceu na região da Alsácia, a flammekueche (em alemão) ou tarte flambée (em francês). E devemos ao português Nuno Ferreira o interesse desta história toda, porque foi ele quem decidiu trazer esta receita até ao Chiado. E para acabar com as disputas geográficas nomeou-a de Flammes. Vende-a no seu novo espaço, o Storik, na rua do Alecrim, com vários ingredientes. Uns mais franceses, outros adaptados ao gostinho português. Por exemplo: a tradicional leva fromage blanc, crème fraîche, cebola e bacon. Mas há outra que só leva paio alentejano com queijo de cabra; outra de frango e estragão; ou mesmo de queijo da serra com doce de abóbora. No total são 12 fixas e outras tantas que mudam a cada dois meses.
Nuno Ferreira apaixonou-se pelas Flammes numa viagem que fez a Estrasburgo, há cinco anos. “Achei que tinham qualidades que combinavam com a nossa cozinha. Muitos vegetais, com um lado mais condimentado”, explica. Uma aposta de risco não só pela originalidade, mas porque para o empresário, ligado ao sector financeiro desde sempre, esta era (e é) a primeira aventura no ramo.
“O desafio de uma vida”, diz, a que se juntou o chef Ricardo Peinado, que comanda a cozinha franco-alemã (e que graças a isso também ganhou umas viagens à Alsácia). Quanto a preços, basta olhar para a ementa para perceber que uma refeição média pode ir até aos 25€. Ao almoço existe um menu semanal a 8,90€, mas se está numa de abrir os cordões à bolsa vá até às páginas gourmet da ementa (40€). Até porque há muitas mais especialidades da Alsácia, para além das Flammes.
Além da gastronomia, o Storik tem também uma zona de bar e outra que chamam de sala multi-usos, com uma tela para ver futebol e mesas para um almoço ou lanche rápidos. Sim, porque também pode passar lá durante a tarde para matar a fome com uns scones ou com as incontornáveis flammes.
E espaço para tanta coisa? Mesmo sendo no Chiado, há. O restaurante tem dois andares e é quase labiríntico. A decoração é simples, em tons claros e escuros e com fotografias da Alsácia para contrastar. E não se espante com a quantidade de cegonhas, é que além de serem o símbolo da região, Storik é uma adaptação do nome original da ave (Stork).
Rua do Alecrim, 30-B, 30-D (Chiado). 21 604 0375. Seg-Dom Almoço: 12.30-15.00 Jantar 19.30-01.00
terça-feira, 2 de Fevereiro de 2010

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