Já falta pouco para arrancar em Portugal o Projecto Moda, um programa importado dos Estados Unidos onde a malta se aventura nas lides da costura, na esperança de vir a ser o próximo grande estilista. Se calhar as suas ambições não vão tão longe e já se dava por contente se conseguisse juntar um botão a uma camisa sem acabar com um dedo perfurado. Seja como for, talvez não seja má ideia passar na Oficina da Roupa e ver que tal se safa com a agulha e o dedal.
O projecto começou na cooperativa cultural Crew Hassan, pela mão de Ana Teresa Antunes. «Era um ateliê normal de costura, com peças de autor, mas achei que havia público para começar a fazer ateliês de costura», conta. Assim, o ano passado a Oficina da Roupa mudou-se para um espaço maior, na junta de freguesia de S. José, e ganhou o título de «ateliê de costura criativa» e duas novas colaboradoras (Inês Batista e Ana Pimpista).
«A maior parte das pessoas não tem qualquer noção de costura, e isto funciona como um primeiro contacto. Não vão sair daqui designers ou a saber coser na perfeição, mas ficam com as bases e perdem o medo», explica Ana Teresa.
A principal missão da Oficina é ensinar as pessoas a fazerem a própria roupa e adereços de forma criativa e económica. E o workshop de corte e costura é o melhor passo para começar. No primeiro módulo aprende-se o básico: tirar medidas, fazer cortes, trabalhar com moldes e confeccionar uma peça de roupa simples (um top, uma blusa ou uma saia). No segundo módulo o nível de exigência sobe, com os alunos a terem de saber costurar umas calças ou uns calções. No terceiro e último módulo a criatividade é posta à prova com um vestido de forma livre.
«As pessoas vêm cá para se divertir e para explorarem o seu lado de designers. Há quem queira fazer uma peça igual a uma que viu numa loja ou numa revista, mas também há quem venha porque quer saber como costurar para si, à medida do seu corpo», diz Ana Pimpista. «É um ateliê para pessoas de todas as idades, todos os tamanhos e todos os países. Uma oficina democrática», acrescenta.
Porque estamos numa altura em que reciclagem e reaproveitamento são palavras de ordem, a Oficina da Roupa tem também um workshop de redesign de vestuário. «Por ser tão fácil comprar roupa, as pessoas começam a chatear-se por andarem todas iguais. Para além disso, a história da crise assustou muita gente. As pessoas gostam de aprender a fazer transformações e costurar a própria roupa». Assim, vestidos podem transformar-se em saias, casacos em coletes e por aí afora.
Que não se pense que só as mulheres ligam a estas coisas da costura. Já houve vários homens a juntarem-se à Oficina e todos passaram com distinção. Aliás, há cada vez mais gente interessada. «Houve uma quebra geracional, uma ou duas gerações que deixaram de costurar, mas agora estão a voltar. O interesse é crescente, talvez porque as pessoas estejam fartas de tanta massificação e tecnologia. O prazer de verem uma peça feita com as próprias mãos é enorme», diz Ana Teresa. E, assegura, «qualquer pessoa consegue fazer a sua peça ao fim de cinco aulas».
A Oficina da Roupa organiza ainda workshops de malas de pano, de baby slings (porta-bebés em tecido), roupa de criança, biquínis e roupa de praia, para que fique com o guarda-roupa completo. Se achar que não tem mesmo jeito, pode sempre mandar fazer as suas peças. É só dizer o que quer e a Oficina faz. Nem todos nascemos para estilistas.
Junta de Freguesia de S. José
Cç. do Moinho de Vento, 3
96 004 1361
Workshops entre 40€ e 80€
terça-feira, 27 de Julho de 2010

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