A edição 2010 do FMM de Sines promete ser uma das mais quentes e sedutoras de sempre. Começa quarta-feira, termina sábado e, embora mais curta do que nos últimos anos, volta a apresentar um invejável concentrado de grandes artistas e bandas vindas de todos os continentes. Escolhemos um nome por cada continente representado no festival – o critério foi «esta é a sua estreia absoluta em Portugal... ou quase» – e ficámos com pena de não falar de muitos mais.
América
Las Rubias del Norte (E.U.A.)
Com um nome cheio de auto-ironia e bom humor, Las Rubias del Norte são duas gringas de formação clássica apaixonadas pela música da América Latina. Son, guajiras, rumbas, cumbias, rancheras, boleros, música andina... tudo cabe na sonoridade (enfeitada por arranjos que por vezes estão próximos de Ry Cooder, outras da Penguin Cafe Orchestra e muitas vezes com deliciosas harmonias vocais devedoras do canto lírico) muito própria do grupo. Neste concerto, fazem não só a sua estreia em Portugal como em toda a Europa.
Quarta-feira, 23.30, Castelo
Europa
The Mekons (Reino Unido)
Quando pensamos em bandas anglo-saxónicas criadas pelo punk mas que evoluíram para sonoridades mais próximas de várias músicas tradicionais, pensamos inevitavelmente nos Pogues, The Men They Couldn't Hang e... nos seminais Mekons. Nascidos na cidade inglesa de Leeds, em 1977, e desde sempre alinhados à esquerda, os Mekons rapidamente saltaram dos rudimentos punk para uma música que bebia na folk das ilhas britânicas e, depois, na country norte-americana (não por acaso, Jon Langford, dos Mekons, foi o fundador da banda americana Waco Brothers, igualmente pioneira do alt-country).
Quinta-feira, 01.00, Castelo
África
Staff Benda Bilili (R.D. Congo)
Quando começou a falar-se dos Staff Benda Bilili – um grupo de músicos de rua, paraplégicos, que ganhavam a vida a tocar para os turistas que iam visitar o Jardim Zoológico de Kinshasa, no Congo – muita gente torceu o nariz e pensou que poderia sair daqui uma “Dona Rosa” à africana. Mas bastou ouvir o primeiro álbum do grupo, Très Très Fort, editado em 2009, para que as desconfianças iniciais se desvanecessem: não, não havia aqui jogada da indústria discográfica e, sim, eles fazem música maravilhosa que põe lado a lado a rumba congolesa e outros géneros africanos e latino-americanos.
Sábado, 00.30, Castelo
Ásia
Sa Dingding (China)
A tradição e as electrónicas convivem harmoniosamente na música da cantora chinesa Sa Dingding. Aliás, na sua música – já mostrada ao mundo em dois álbuns, Alive (2007) e Harmony (2009), este produzido pelo respeitadíssimo Marius de Vries – convivem, sempre sem se chocar, a música tradicional e clássica da China e Mongólia (na sua banda acompanhante, ao vivo, há um tocador de instrumentos tradicionais como o guzheng e a pipa) com uma variada quantidade de linguagens electrónicas.
Sexta-feira, 23.00, Castelo
Oceânia
Galaxy (Timor)
As viagens da música são intermináveis e muitas vezes surpreendentes. Oiçam-se os timorenses Galaxy e pense-se, mais uma vez, como as músicas de raiz estão cada vez mais contaminadas pelo que o éter e a fibra óptica levam a todo o mundo. Nos Galaxy convivem, unidos pelo “cimento” que é a língua tétum, estilos tradicionais de Timor-Leste com reggae, hip-hop, heavy-metal, funk e tudo o mais... E sempre com letras empenhadas politicamente, naturais num grupo formado na sequência da independência do seu país.
Sábado, 19.30, Av Vasco da Gama
Este ano o Festival de Músicas do Mundo de Sines divide-se entre o Castelo e a Avenida Vasco da Gama. Todos os concertos têm lugar de quarta-feira a sábado.
terça-feira, 27 de Julho de 2010

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