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Noites quentes, ecrãs ligados


O festival FUSO voltou à cidade e desta vez com um prémio.

As noites do final deste mês serão passadas em jardins e terraços da cidade para ver alguma da melhor vídeo-arte que se faz aqui e lá fora. Voltou o FUSO – Festival de Video Arte Internacional de Lisboa, na sua segunda edição. Este ano há uma forte presença da arte alemã, alguns núcleos temáticos definidos e a grande novidade é a criação e atribuição de um prémio.

O FUSO, festival programado por Elsa Aleluia e Jean François Chougnet, teve início no ano passado, meio timidamente, mas já começa a demonstrar que está a crescer. Passa a ocupar não só o Museu Colecção Berardo e o BES Arte & Finança, como também o Goethe Institut e o Carpe Diem Arte e Pesquisa. A criação de um Prémio FUSO resulta do Open Call, uma chamada que, até ao final de Maio, pedia a todos os artistas residentes em Portugal para concorrerem, submetendo os seus trabalhos à pré-selecção de Elsa Aleluia. O visionamento decorrerá nos dias 28 e 29 de Julho, sendo o prémio – a aquisição da obra pela Fundação PLMJ – entregue no último dia e contando não só com a decisão do júri como com a votação do público.

Se há um tema a destacar no FUSO deste Verão, talvez seja o da identidade e todas as questões à sua volta, sendo uma delas as múltiplas visões do corpo. É uma temática muito patente nos primeiros anos de implantação da disciplina da vídeo-arte e este historial pode ser comprovado no ciclo “Videokunst Record > Again” que assinala 40 anos de vídeo-arte alemã. Este é um projecto iniciado pela Fundação Cultural Federal Alemã, e nesse âmbito foi restaurada grande parte dos vídeos apresentados, dados como perdidos nos últimos 25 anos. Um programa que visa estabelecer um ponto de vista histórico pela vídeo-arte alemã e que figura como sessão inaugural do festival, no dia 28, no espaço BES Arte & Finança.

Passando para outro espaço da cidade, o Carpe Diem Arte e Pesquisa, dois filmes de Valie Export assinalam uma visão feminista do corpo social e político numa das artistas mais provocantes dos últimos 30 anos, tanto num nível conceptual como visceral. São também todas elas mulheres, as artistas que seguem esta programação na sessão “Heure Exquise”. Continuando o passeio pela cidade em imagens, paragem no dia 29 no Goethe Institut para a sessão “Tapes of friends which one are still like, I”, uma escolha de Marcel Odenbach, com a presença do artista que falará sobre as razões desta selecção, relacionando-a com a história da vídeo arte alemã. Destaque para a exibição de um vídeo de Marina Abramovic e Ulay. Mais um dia e a direcção é Belém. O Museu Berardo apresenta uma sessão com curadoria de Sergio Edelsztein, do Center for Contemporary Art/Videozone, de Telavive. Forte pendor político e activista é o que se espera desta noite quente. O último dia (31) é marcado pela série de vídeos do já mencionado Marcel Oldenbach, numa pequena antologia denominada “Germany and Me”. Um cruzamento de memórias próprias e colectivas que questionam a identidade do artista e do observador em relação com a história traumática da Alemanha. Finaliza com outras obras do mesmo autor com relação ao cinema, ao corpo, ao conceito de beleza e à identidade.

O FUSO decorre entre 28 e 31 de Julho no espaço BES Arte & Finança, Goethe Institut, Museu Berardo e Carpe Diem Arte e Pesquisa. Toda a programação em www. fusovideoarte.com. A entrada é gratuita.

Miguel Matos

terça-feira, 27 de Julho de 2010



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