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Conheça a primeira humorista lésbica portuguesa


Helena Martins transforma a vida lésbica num ‘show’ de ‘stand-up comedy’. Bruno Horta falou com ela.
 


“Se houve ou há outras artistas a fazer o mesmo em Portugal, não conheço”, diz Helena Martins. “Mas haver uma comediante que se assuma como lésbica não há de certeza, e que faça um espectáculo de comédia lésbica muito menos. Sou mesmo a primeira”.

E pronto, estão feitas as apresentações. A espevitada e faladora Helena Martins, de 36 anos, é a mais recente novidade da noite gay de Lisboa. Esta sexta-feira, dia 19, apresenta na discoteca Maria Lisboa, em Alcântara, o espectáculo “Develish”. A partir da meia-noite e meia.

Humor negro e hilariante é a promessa dela. “Não tenho a mania de que sou melhor do que os outros, mas faço tudo com primor. E na stand-up comedy quero ser muito boa”, atira, durante uma conversa com a Time Out no Parque das Nações, onde todos os dias, ao fim da tarde, costuma passear os seus dois cães: a Gucci e o Calvin.

Não é a primeira apresentação do espectáculo. É a terceira. Mas prevê-se que seja a melhor ocasião para fazer rir muitas lisboetas. Porque a Maria Lisboa é nesta altura um dos destinos mais interessantes da cidade – diz quem lá vai e prova-o a dinâmica da casa.

“Develish” estreou-se em Outubro num esconso bar de stiptease, em Vialonga. Bar hetero, mas que por uma noite se abriu apenas às lésbicas. Foi o primeiro teste e correu bem. Seguiu-se a discoteca Candy, em Alvide, Cascais, há duas semanas. Correu melhor ainda. E à terceira, aparece a Maria Lisboa.

Mas como é que tudo começou? Foi em Londres, onde Helena Martins viveu entre 1998 e 2004. Viu um show de stand-up comedy lésbica num teatro e achou que era capaz de fazer o mesmo. Estreou-se no bar Clock House, que às sextas organizava as noites das “New Divas” – um palco para novatos com ideias brilhantes, tal como o nosso “Lugar aos Novos” (ou às Novas, como também se diz), na discoteca Finalmente, às segundas--feiras. Parece que deu resultado. O interesse dela entretanto esmoreceu. Mas ficou... e agora renasce.

E será que fazer humor lésbico para as britânicas é o mesmo que fazer para as portuguesas? “É exactamente o mesmo”, responde. “Para já, em Londres quase não há britânicos, há milhares de nacionalidades. E depois as minhas piadas são para lésbicas, ponto final. Piadas sobre a intimidade, os relacionamentos, os dramas. É humor universal.”

De resto, ela faz questão de dizer que “a grande diferença entre as lésbicas de Londres e de Lisboa não está nos hábitos de vida, mas na tolerância e na diversidade, que por cá ainda são reduzidas”.

Assim, “Develish” não é um ataque às lésbicas, sublinha a autora. “Ninguém deve sentir-se ofendido, aquilo é apenas humor negro e hilariante. Adoro ser lésbica, tenho o maior orgulho nisso, portanto...” Portanto, não é para levar a sério. É só mesmo para rir.

E atenção, há partes do show que falam para todas as mulheres, sem olhar à orientação sexual. “O facto de serem más-línguas e cortarem na casaca uma das outras é mesmo verdade e quero fazer humor com isso”. Se tudo correr bem, “Develish” passa a ser espectáculo fixo da Maria Lisboa, uma vez por mês.



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