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Ana Moura


Ela permanece na superliga das fadistas com impacto internacional e ao quinto álbum faz um pedido: Leva-me aos Fados. Um disco que é um marco de maturidade e que tem apresentação em palco hoje, no Teatro Tivoli.
 


Como é que se consegue dar coesão a um álbum com tantos compositores diferentes? Fica tudo dependente da sua interpretação?

Não é complicado porque não há a preocupação do disco ter uma mensagem. É através de mim enquanto intérprete, e através dos músicos, que se consegue a unidade no meio da diferença inerente à forma de criar de cada um dos compositores.

Além da interpretação, que mais faz nos seus discos? Controla tudo o que acontece, ou prefere deixar as coisas nas mãos dos produtores?

Eu delego um bocadinho, sim. Na parte da montagem das músicas não, nem nos arranjos – nisso eu gosto de estar presente.

O que é que Leva-me aos Fados tem que os outros discos seus não tinham?

Essencialmente, tem maturidade. Essa ideia passa mesmo pela foto da capa, em que estou a olhar de frente, olhos nos olhos. Já consigo encarar a câmara de frente. A maturidade é a principal diferença. Depois, tem algumas diferenças em termos musicais, como o facto de usar duas guitarras portuguesas, além da participação de compositores que eu nunca tinha cantado.

A última faixa do disco, “Não É um Fado Normal”, conta com os Gaiteiros de Lisboa e pouco ou nada tem a ver com o seu registo tradicional. Gostava de um dia gravar um álbum que nada tivesse a ver com o fado?

Nunca me passou pela cabeça. Sempre cantei todos os tipos de música, mas a minha interpretação é e será sempre enquanto fadista. Muitas datas das tournées que faço são incluídas em festivais, e por vezes no backstage há a oportunidade de nos cruzarmos com outras bandas e de misturarmos as nossas músicas e os nossos estilos. Porque não, um dia, mostrar isso ao público? Além disso, participei no Rolling Stones Project, que já é uma linguagem e uma experiência totalmente diferente. No meu primeiro disco tenho os Ciganos d’Ouro, e também já trabalhei com o Pedro Jóia, numa fusão entre fado e flamenco.

Nas digressões internacionais, já deu de caras com algo parecido com uma casa de fados?

Em Itália existe uma casa de fados onde todos são italianos, incluindo os músicos e os cantores. Até os rituais são iguais aos de uma típica casa de fados lisboeta: as pessoas estão lá a jantar, apagam-se as luzes, ficam só as velas nas mesas, o fadista canta três fados...

E o público, respeita a lei do silêncio?

Sim. E é tudo feito por italianos. E os fadistas cantam em português, mesmo que a pronúncia não seja a correcta. É muito interessante. Fica no sul da Itália, mas agora não sei dizer ao certo onde. Numa mão cheia de álbuns, já deu voz a temas de muita gente. Quem mais gostava que escrevesse uma canção para si?

O Sérgio Godinho, por exemplo. Gostava de ter uma música e uma letra dele. Já lhe pediu?

Não. Cada disco meu traz compositores novos; quem sabe, no próximo...

Qual é a sua motivação para fazer o que faz?

A minha carreira tem sido fundamental para me conhecer enquanto pessoa. Por isso, [a carreira] acaba por estar interligada comigo. Não há grande distinção. A motivação vem desse querer ultrapassar algumas barreiras.

Vai entrar no próximo disco do Prince?

Não posso falar sobre isso [risos].



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