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Será este o banco mais deprimente de Lisboa?

Por
Luis Leal Miranda
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As criaturas ensimesmadas que chegam de carro a Lisboa pela A5 deparam-se com este triste exemplar de mobiliário urbano virado para a parede, como se estivesse de castigo. Será uma obra de arte? Ou uma maneira subtil que o Departamento de Auto-Estima Urbana da Câmara Municipal de Lisboa arranjou para fazer os condutores parados à saída do viaduto Duarte Pacheco pensarem: “Pelo menos a minha vida não é tão má como as pessoas que se sentam aqui”.

Para que serve o banco afinal? É simples: para sentar. Quem? As pessoas que vieram passear para esta zona semi-ajardinada entre uma estrada de seis faixas e uma escarpa. E por que raio alguém há de querer vir passear para uma zona verde entre uma via rápida e um calhau? Por causa do calhau. Para ir ao fundo da resposta temos de recuar 97 milhões de anos atrás, altura em que o mar chegava ali. Vivia-se no entusiasmante Cretáceo Superior, antes do alcatrão, das ervas daninhas e do nosso querido banco de jardim. A explicação está numa placa que assinala esta rocha como um dos 15 geomonumentos  de Lisboa: “Provenientes do continente, chegavam aqui argilas que deram origem a bancadas de calcário (...) a que se sobrepõem níveis de calcário compactos, com fósseis”.

É para admirar este fenómeno que está ali o banco. Mas os motivos de interesse não acabam aqui, mesmo ao lado está Alma Moderna, um monumento de Leonel Moura dedicado a Almada Negreiros. Será este afinal o descampado mais interessante de Lisboa?

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