A Páscoa em sete filmes nada bíblicos

Cinema bíblico é o que mais há quando chegam as férias da Páscoa. Mas há outros que ou vêm a propósito da época, ou se passam durante essa ocasião de reunião familiar, mas estão longe da Bíblia
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Flores de Aço
Por Rui Monteiro |
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Entre as variadas maneiras de filmar a Páscoa, não há muitas excepções à corrente dominante. Mas que as há, há. Umas aproveitam-se da época e usam as reuniões familiares como pretexto. Outras pura e simplesmente ajavardam a coisa. Para saber como, é ver estes sete filmes. 

A Páscoa em sete filmes nada bíblicos

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Desfile de Páscoa (1948)

Ainda não havia televisão e a MGM não queria deixar passar a época sem ganhar um punhado de dólares. Como não tinha nenhum filme disponível sobre Cristo capaz de ganhar algum, vai daí os executivos do estúdio optaram por um musical, coisa para a família, ligeirinha. Ganharam uma pipa de massa, que o filme foi um êxito, e ainda arrecadaram um Óscar de Melhor Banda Sonora. O enredo é básico – uma história de amor e ciúme e inveja e vingança entre artistas –, porém o que importa é a música, a cor, e, claro, a dança. Judy Garland e Fred Astaire (chamado à pressa para substituir o lesionado Gene Kelly) fizeram o seu papel com o profissionalismo necessário para passar despercebido que não caíam de amores um pelo outro. A sua popularidade entre o público fez o resto.

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A Vida de Brian (1979)

Embora, tecnicamente, um filme capaz de alinhar na categoria “bíblico”, A Vida de Brian é sem dúvida a mais descabelada paródia aos filmes de Páscoa tradicionais. A autoria dos Monty Phyton era, à partida, embora o argumento não fosse mais do que um esboço, uma espécie de garantia, e a forma anárquica como decorreram as filmagens (quase, mas nem sempre dirigidas por Terry Jones) asseguraram a quota de espontaneidade libertária característica do grupo de comediantes britânico. E, assim, adoptando uma leitura – digamos – política dos evangelhos, Brian (Graham Chapman), que nasceu no estábulo ao lado do de Jesus, cresce e junta-se a um movimento de resistência à ocupação romana da Judeia. Apesar da sua organização ser particularmente ineficaz, por portas e travessas e um certo surrealismo narrativo, Brian torna-se profeta. Contudo não se livra da cruz.

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Flores de Aço (1989)

Agora uma coisa completamente diferente. Herbert Ross juntou Shirley MacLaine, Olympia Dukakis e Sally Field, acrescentou um enredo tecido à volta de um salão de beleza na Luisiana e da passagem do tempo, e criou este filme sobre valores familiares em que a Páscoa é apresentada como símbolo do início da Primavera e do princípio de uma nova vida. Apesar deste tom sério, quase solene, Flores de Aço tem os seus gagues, as suas confusões familiares e, para ninguém ignorar a época, logo na cena inicial um carregamento de ovos de Páscoa é acidentalmente esmagado.

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Os Malucos do Centro (1995)

A Páscoa, aqui, nem pretexto é, mas apenas a época do ano em que se passa a acção. Vê-lo, nesta altura, é, assim, pelo menos, uma espécie de provocação aos valores familiares. Gratuita, todavia divertida, tanto como o filme de Kevin Smith (Clerks), onde Jay e Silent Bob, embora presentes, dão o protagonismo a Jeremy London e Jason Lee. Adolescentes que levaram com os pés das namoradas, refugiando-se, deambulando e aprendendo sobre a vida graças a uma colecção de personagens particularmente patuscas que encontram num centro comercial, ao mesmo tempo procurando engendrar um plano de recuperação das raparigas.

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Hank and Mike (2008)

Agora é a vez de Thomas Michael, Paolo Mancini, Chris Klein e Joe Mantegna protagonizarem, neste filme de Matthiew Klinck, uma comédia transtornada, negra e ainda com uma pontinha de realismo social, onde dois coelhos de Páscoa vêem a sua longa e profunda amizade em perigo quando a multinacional que detém os direitos sobre a Páscoa os despede. Atirados para o desemprego, incapazes de reconversão profissional, depois de muita atribulação, os bons sentimentos vem ao de cima, a reconciliação acontece e… a vida continua.

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Hop (2011)

E se o filho do Coelho de Páscoa, E.B., não quer seguir a tradição e ainda menos assumir o papel do pai? Foge de casa, na Ilha da Páscoa, claro, e vai direitinho que nem um fuso para Hollywood tornar-se músico. É o que é. Melhor, neste filme de animação de Tim Hill, este coelho tem logo a sorte de conhecer James, cujo maior sonho era ser Coelho de Páscoa mas não sabia para onde enviar o currículo e a candidatura. Hank Azaria, dando voz ao vilão Carlos, é, por assim dizer, o inimigo a abater para E.B. (Russell Brand) no seu caminho para o estrelato e resolução dos problemas familiares.

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Pieces of Easter (2013)

Estas coisas acontecem. E podem ser chatas ou motivo para uma barrigada e riso, como neste filme escrito e dirigido por Jefferson Moore. Acontece, então, que Alza Bennet (Christina Marie Karis), uma executiva particularmente arrogante e sublimemente irritante vai a caminho da casa da família para passar a Páscoa e… Eis senão quando o carro se avaria e a avaria é irremediável em tempo útil naquele ermo onde se foi abaixo. No ínterim do seu desespero, conhece Lincoln James (Jefferson Moore), um solitário (digamos melhor: misantropo) lavrador que, em troca de mil dólares, aceita levar a rapariga até ao destino. Como é evidente, entre as cenas cómicas, os dois vão conhecer-se melhor, confrontar os seus problemas e tornarem-se melhores pessoas.

Páscoa em Lisboa

Ovo da Brigadeirando
©Mariana Valle Lima
Restaurantes

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esplanada espelho d'agua
Fotografia: Manuel Manso
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