A Vida Secreta dos Nossos Bichos 2

Filmes, Animação
4 /5 estrelas
A Vida Secreta dos Nossos Bichos 2

A Time Out diz

4 /5 estrelas

Fundada em 2007, a produtora de animação Illumination já conseguiu afirmar-se na sua especialidade graças a filmes como os da série Gru – O Maldisposto, à criação dos Minions, os seres amarelos saídos desta, e a títulos como A Vida Secreta dos Nossos Bichos ou Cantar!.

A Illumination, propriedade da Universal, tem personagens próprias, um estilo de animação individualizado e reconhecível, e uma identidade cinematográfica bem definida. Um dos seus maiores sucessos foi o citado A Vida Secreta dos Nossos Bichos (2016), que dava a volta a uma ideia de história já várias vezes tratada no cinema: o que fazem as crianças, e os adolescentes, quando ficam sozinhos em casa.

Esta animação realizada por Chris Renaud (um dos criadores de Gru e dos Minions) e Yarrow Cheney, ambientada em Nova Iorque, mostrava o que faziam as mascotes (cães, gatos, aves, coelhinhos, hamsters, etc.) quando os donos saíam para trabalhar, ir às compras ou comer fora. A história de A Vida Secreta dos Nossos Bichos tinha algumas parecenças (demasiadas, segundo alguns) com a de Toy Story, mas a Disney e a Pixar ou não repararam nisso, ou preferiram não ligar, e o filme foi bem recebido pelos críticos e plebiscitado em massa pelo público. (E com merecimento, acrescente-se.)

Era inevitável que a Illumination apostasse numa continuação de A Vida Secreta dos Nossos Bichos. E cá está A Vida Secreta dos Nossos Bichos 2, de novo realizada por Chris Renaud, agora acolitado por Jonathan del Val, e com argumento de Bryan Lynch, um dos três autores do filme original, e responsável pela criação das personagens.

O filme mostra que também pode suceder na animação aquilo que poucas vezes sucede com as produções de imagem real: a parte 2 ser melhor do que o original. A Vida Secreta dos Nossos Bichos 2 é mais bem escrito, mais cómico, menos frenético e mais elaborado que o primeiro filme. E consegue, tal como este, captar em simultâneo os espectadores mais pequenos e os mais crescidos, sem que aqueles sejam deixados para trás ou à deriva com um excesso de referências cinéfilas e da cultura pop, como acontece com algumas longas-metragens de animação.

A história de A Vida Secreta dos Nossos Bichos 2 começa de novo em casa do cãozinho Max e do seu parceiro Duke, com a dona agora casada e mãe do pequeno Liam (Louis C. K, caído em desgraça às mãos das fúrias feministas, foi substituído na voz de Max por Patton Oswalt).

Max começa então a ficar hiperprotector para com Liam, ao ponto de desenvolver um tique e ter que ser arrastado para o veterinário pela dona, onde lhe é posto um vergonhoso cone protector.

Ao invés do primeiro filme, A Vida Secreta dos Nossos Bichos 2 tem duas histórias em paralelo: uma envolvendo Max, Snowball, uma visita da família a uma quinta e um novo cão, o imponente Rooster (voz de Harrison Ford, muito bem escolhido); e outra, com o hiperactivo coelho Snowball, que agora está armado em super-herói e vai salvar uma cria de tigre, e a sofisticada cadelinha Gidget e um verdadeiro exército de gatos pertencentes a uma velhinha da vizinhança.

Estes dois enredos encontram-se jubilatoriamente no final da fita, e os realizadores conseguem atá-los numa conclusão a contento de todos, personagens e espectadores. Pelo meio, Renaud e del Val até têm a audácia de fazer uma valente piscadela de olho a Laranja Mecânica, de Stanley Kubrick, bem como gozar com a série de filmes Velocidade Furiosa em versão felina.

A animação permanece subtilmente estilizada, as personagens continuam pandegamente variadas e muito bem caracterizadas, visual, temperamental e psicologicamente (confesso ter um fraquinho pela anafada e blasé gata Chloe), e os gags são distribuídos com qualidade e abundância, havendo pelo menos uma sequência memorável que envolve Gidget, o hamster Norman, um caneta com apontador de laser vermelho e a gataria da velhota em peso.

No final, A Vida Secreta dos Animais 2 tem um bónus: um clip de gangsta rap protagonizado por Snowball. É um remate badass para uma animação para a família totalmente conseguida.

Por Eurico de Barros

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