John McEnroe - O Domínio da Perfeição

Filmes, Documentários
4 /5 estrelas
John McEnroe - O Domínio da Perfeição

A Time Out diz

4 /5 estrelas

John McEnroe a refilar com o árbitro, a respingar com os juízes, a ameaçar os fotógrafos,
 a fazer cara feia para os cameramen, a atirar a raqueta ao chão, a estoirar com uma garrafa de água, a amuar em pleno court, a espojar-se na terra batida.

Sim, John McEnroe: O Domínio da Perfeição, do francês Julien Faraut, é mais um documentário sobre ténis, e sobre John McEnroe, o primeiro bad boy da modalidade e senhor de um talento estratosférico. Mas não se fica por aí.

É também um trabalho sobre como filmar ténis para fins didácticos sem que o resultado se pareça com televisão e não seja maçudo, um ensaio com personalidade “experimental” sobre a psicologia profunda dos prodígios do desporto, corporizados por McEnroe, e um exemplo de como pegar em imagens feitas por outros e delas tirar um filme que se pode (também) chamar nosso.

Cinéfilo e fã de desporto, Julien Faraut descobriu os filmes de instrução feitos para ensinar as pessoas a jogar ténis, e as imagens rodadas em Roland-Garros, entre 1977 e 1985, por Gil de Kermadec, então director técnico nacional do ténis francês, e pela sua equipa. Nomeadamente, um filme dedicado a John McEnroe, de uma série sobre os maiores nomes da modalidade na altura.

O realizador pegou então em todo este material, bem como nas muitas imagens inéditas que não foram usadas, para fazer o seu filme sobre John McEnroe, falando com o próprio Keradec e com um dos seus operadores de câmara da altura. E socorre-se também das palavras de dois homens do cinema francês que são fanáticos da modalidade: Jean-Luc Godard e o crítico Serge Daney, autor, em 1994, de um livro, L’Amateur de Tennis, que compila os artigos sobre ténis que escreveu então para o Libération. Assim armado, e apoiando-se, com pertinência e critério, nas imagens feitas na época, Julien Araut consegue um documentário inteligente, elegante e incisivo, que vai muito além dos habituais estereótipos e lugares comuns preguiçosos sobre John McEnroe.

John McEnroe: O Domínio da Perfeição documenta o talento sobre-humano do campeão americano e a sua fome de perfeição, demostra que o lendário mau génio fazia parte da identidade de jogador, e como ele se alimentava do clima hostil que criava em seu redor, e desmonta ainda alguns mitos e equívocos.

E Faraut termina em grande, com a inesperada e devastadora derrota de John McEnroe face a Ivan Lendl, em Roland-Garros, em 1984, para ilustrar toda a espectacularidade, incerteza, emoção e drama que presidem ao ténis.

Por Eurico de Barros

Por Eurico de Barros

Publicado:

Detalhes

Detalhes da estreia

Elenco e equipa

Realização
Julien Faraut

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