Oito filmes de terror realizados por mulheres

Não são muitas. São porém as suficientes e suficientemente talentosas para deixarem a sua marca. E influenciarem o futuro do cinema de terror. Descubra oito filmes de terror realizados por mulheres

American Mary

Aquela ideia do sexo fraco, lembram-se? Pois, apesar da pujança do sexismo, essa forma de ver as mulheres está morta. Razão? Simples: elas já não vão nisso. E afirmam-se, mesmo que seja preciso acotovelar uns homens para, por exemplo, fazerem filmes de terror. Há mais, mas por enquanto ficam estas pioneiras.  

Oito filmes de terror realizados por mulheres

Depois do Anoitecer (1987)

Kathryn Bigelow foi a primeira mulher a receber um Óscar de realização, com Estado de Guerra, e o cinema de acção está para esta cineasta como – sei lá? – a comédia romântica para Nora Ephron. Depois do Anoitecer, única incursão no género terror, dirigido logo no início da sua carreira, é, nada mais, nada menos do que um romance entre vampiros. Mas quem está a pensar num antecessor de Twilight pode tirar o cavalinho da chuva. Aqui não há boas intenções nem final feliz. Antes um ambiente de suspense criado como distracção que antecede a violência explícita e brutal desta vampiragem da velha escola.

Cemitério Vivo (1989)

Entre as paletes, disparate, entre os armazéns de livros assinados por Stephen King e entretanto adaptados ao cinema, a maioria não se saiu bem, cinematograficamente falando. Porém, a versão em filme de Mary Lambert para Cemitério Vivo não só é uma das mais bem conseguidas e apreciadas, tornando quase críveis aqueles rituais de ressuscitação de animais de estimação, como mereceu as graças do autor – que disse cobras e lagartos do que Stanley Kubrick fez de Shining, por exemplo.

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O Insaciável (1999)

Eis o filme de terror feito com todas as regras e condimentos dos clássicos do género, em que Antonia Bird, com grandes requintes de malvadez, põe Guy Pearce à frente de um grupo de colonos que – a vida é dura para quem procura a última fronteira, pode adiantar-se como metáfora – dá de frente com um bando de canibais. Bird filma esta aventura cheia de reviravoltas e revelações com pulso firme e, principalmente, sem dar qualquer descanso aos eventuais bons instintos dos espectadores. 

Psicopata Americano (2000)

Foi um romance tão brilhante como controverso, que marcou e de certo modo tem ofuscado a obra posterior de Bret Easton Ellis. Passado a filme, com realização de Mary Harron, tornou-se frequentador permanente das listas de melhores do género. O que é justo, pois Harron, com grande auxílio de Christian Bale, soube transportar para a tela as ilusões de grandeza e o egocentrismo que levam à violência e descabelada misoginia do protagonista com estilo e particular imaginação. 

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Vigilância (2008)

A carreira de Jennifer Lynch é, por assim dizer, do tipo errante, em grande parte por a realizadora não conseguir equilibrar desejo e talento. O que resulta geralmente em filmes com uma ideia, por vezes até bastante boa, mas que a sua habilidade não consegue concretizar, ou melhor, concretiza em filmes confusos e francamente dispensáveis. Porém, em Vigilância, alguma luz tocou Lynch, e, digamos, inspirada por Sete, a obra-prima de David Fincher, fez desta história de um assassino serial aterrorizando uma cidade e da equipa do F.B.I. que o persegue uma película psicologicamente conturbada e seriamente perturbadora na sua visão do bem e do mal.

O Corpo de Jennifer (2009)

Foi desancado pela crítica e desprezado pelo público. Todavia, o filme saído da reunião dos talentos da realizadora Karyn Kusama e da argumentista Diablo Cody, merece mais atenção. Até por Megan Fox ter aqui uma grande interpretação, fazendo a boazona que em virtude de uma desagradável corrente de acontecimentos se torna hospedeira de um demónio que gosta de se alimentar de rapazinhos. 

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Dead Hooker in a Trunk (2009)

E eis que chegámos ao futuro do terror no feminino, e, por ventura, ao futuro do género. Ou pelo menos assim parece depois do impacto de Dead Hooker in a Trunk, o filme que introduziu Jen e Sylvia Soska, nunca exibido em Portugal, mas nem por isso difícil de encontrar e apreciar nos sítios do costume. À primeira vista é só um daqueles filmes estilo “deixem o sangue correr livremente”. A primeira vista, contudo, é muito enganadora, e a história de quatro amigos que encontram um cadáver no porta-bagagem do carro é assunto muito mais elaborado que uns quantos sustos, outras tantas revelações e um final redentor. 

American Mary (2012)

Para quem ficou com dúvidas sobre a importância e crescente influência das gémeas Soska (nos últimos anos mais dedicadas à novela gráfica e à criação de videojogos) no actual cinema de terror, voltar ao assunto com American Mary é fundamental. Pois, se em Dead Hooker in a Trunk a abordagem era ainda, digamos, cautelosa, nesta película o enredo corre a toda a brida, levando a protagonista, a estudante de medicina Mary Mason (Katharine Isabelle), para o mundo das cirurgias clandestinas e colheitas de órgãos com grande à-vontade, sem que as realizadoras canadianas mostrem qualquer tipo de compaixão ou empatia ou moral – enfim, um desses ingredientes que costumam estragar o cinema de terror. 

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