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Sete comédias britânicas com ou sem Brexit

Comédias britânicas? Mas isso existe? Por muito que custe crer, sim. Por exemplo, estas sete já ninguém nos tira. Com ou sem Brexit.

24 Hour Party People

Há quem ache o humor inglês parvo, malcriado, grosseiro, para não dizer apenas sem graça. E não deixa de ter razão. Depois, por outro lado, também há os Monty Python e a sua farta descendência, mais umas excepções que exploram (como dizer?) uma comicidade alternativa.

Sete comédias britânicas com ou sem Brexit

O Quinteto Era de Cordas (1955)

No centro da acção do filme que Alezander Mackendrick dirigiu em jeito de comédia negra está uma velhota (Katie Johnson) conhecida por suspeitar de toda a gente à sua volta e de todos se queixar à polícia local. De quem ela nem suspeita é do gentil professor Marcus (Alec Guinness) que um dia lhe bate à porta. Precisa de um quarto para o seu quinteto ensaiar, diz. E ela aluga o quarto sem perceber que os músicos são realmente uma quadrilha preparando o crime, e só dá por isso quanto já está involuntariamente envolvida no assalto.

A Vida de Brian (1979)

Versão marada dos últimos dias de Jesus, A Vida de Brian tornou-se o mais conhecido e apreciado do par de filmes dos Monty Python, e sem dúvida a mais destrambelhada película dirigida por Terry Jones. O humor absurdo do grupo sobreviveu à anarquia das filmagens e, principalmente, à fúria dos católicos, que não gostaram desta caótica sátira político-religiosa e chegaram a impedir a sua apresentação na Irlanda e na Noruega. O que aliás forneceu à produção a sua melhor frase publicitária: “Um filme tão cómico que foi proibido na Noruega”. 

Um Peixe Chamado Wanda (1988)

Por falar em Monty Phyton… Uma data de anos depois do fim do grupo, Jonh Cleese, amparado pela experiência de Charles Crichton, escreveu, realizou e interpretou uma das grandes comédias cinematográficas do final do século XX. Aqui, um elenco brilhante (Jamie Lee Curtis, Kevin Kline, que recebeu o Óscar para Melhor Actor Secundário, e Michael Palin) reúne-se com o criador de Fawlty Towers para o que será o assalto do século. O que de facto é uma comédia rocambolesca, temperado por sexo e traição e cobiça e, sabe-se lá como, até uma pitada de generosidade, que envolve uma bela quantidade de personagens caricatas entrando e saindo de situações ainda mais caricatas. 

Ou Tudo ou Nada (1997)

E agora uma coisa completamente diferente…, poderá dizer-se desta película de Peter Cattaneo onde um grupo de desempregados literalmente mostra o rabo para ganhar a vida. Pois então é no cenário industrialista de Sheffield que, à maneira das comédias ligeiras e com bom fundo dos anos do pós-guerra, se encontra este bando de encalhados profissionais vivendo do subsídio de desemprego e do desenrasca. Com graça e delicadeza e uma boa dose de consciência social, ultrapassando diferenças e divergências, os seis, iludidos pela perspectiva de riqueza súbita, metem mãos à obra e montam um espectáculo… de striptease masculino.

24 Hour Party People (2002)

Houve um tempo em que Manchester não era só conhecida pelo United de José Mourinho, mas pela contagiante (e às vezes historicamente determinante) cena musical. A cidade era, aliás, entre o início da década de 1980 e meados da década seguinte, identificada como Madchester, em muito graças aos figurões reunidos em torno do apresentador de televisão Tony Wilson (Steve Coogan), da editora Factory e da inevitável discoteca La Hacienda, aqui representados como uma sátira patética. Com um sentido do cómico (facção absurdo descabelado) pouco praticado na sua obra anterior (e posterior), Michael Winterbottom apresenta aqui um divertido e trepidante fresco sobre a cidade aditivado por muitas drogas, álcool, bela música, sexo e carradas de disparates retirados directamente da realidade. 

Em Bruges (2008)

Comete-se um crime, é-se procurado, portanto o melhor é arranjar um esconderijo. É o que fazem as personagens interpretadas pelo inspirado Brendan Gleeson e por Colin Farrell, então à procura de um papel que lhe reabilitasse a carreira, e que encontra neste filme, onde o dramaturgo Martin McDonagh resolveu mudar de ramo e entregar-se à comédia psicológica negra, a sua saída airosa. Desterrados em Bruges, na Bélgica, os dois criminosos, ambos dados à melancolia, cada qual com os seus problemas próprios, vive entre o turismo, o aborrecimento e a embirração mútua. E é com este aparente nada, com esta inércia narrativa, que o realizador constrói uma comédia hilariantemente sombria. 

Quatro Leões (2010)

É difícil encontrar um filme mais a propósito desta época que este dirigido por Christopher Morris. Aqui, um grupo de radicais islamitas dados ao suicídio bombista (Riz Ahmed, Kayvan Novak, Adeel Akhtar, Arsher Ali e Nigel Lindsay, o ocidental convertido) prepara um ataque capaz de fazer esquecer aquele que instalou o pânico em Londres, em 2005. Estes terroristas, no entanto, têm as suas, digamos, idiossincrasias, e depois de porem de lado a ideia de rebentar com uma mesquita ou, em alternativa, uma loja da cadeia Boots, metem na cabeça uma ideia ainda pior, contudo fonte de farta e, a espaços, provocatória gargalhada. 

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