Varda Por Agnès

Filmes, Documentários
4 /5 estrelas
Varda Por Agnès

A Time Out diz

4 /5 estrelas

Se em As praias de Agnès (2008) Agnès Varda fazia o seu auto-retrato, em Varda por Agnès,
 o seu último filme (a cineasta morreu no passado mês de Março, com 90 anos), ela passa em revista a sua obra. Não só a cinematográfica como também a fotográfica e as instalações que se dedicou a fazer já neste século.

E fá-lo recorrendo em boa parte a palestras e masterclasses que deu, tal como a excertos dos seus filmes em que aparece a falar destes, ou de outros, fiel a um “cinema do eu” de que foi uma das maiores, originais e calorosas praticantes, associando-o sempre às pessoas comuns que a rodeavam e que muito a interessavam e fascinavam, e ao mundo que lhe estava mais à mão.

Fosse a parisiense Rua Daguerre onde viveu durante anos, fosse a Los Angeles em que passou uma temporada quando o seu marido Jacques Demy esteve em Hollywood. Varda Explica
 e Decifra Varda podia bem ser o título alternativo deste filme.

Esta ampla passagem em revista da obra de Agnès Varda pela própria tem um importantíssimo extra que nenhum crítico de cinema ou especialista poderia dar.

É a carga emocional, afectiva, íntima, trazida pela autora, as suas riquíssimas memórias e recordações, profissionais, pessoais ou familiares que lhes estão associadas, de Demy e da sua vida em comum, das rodagens, das suas viagens e deambulações pela França e das pessoas com quem se cruzou e filmou ou fotografou, ou ainda dos amigos, colaboradores, artistas e actores e actrizes com quem trabalhou.

É o caso de Sandrine Bonnaire, intérprete de Sem Eira nem Beira (1985), que aparece a recordar uma dura rodagem para a qual foi obrigada por Varda a aprender a acender uma fogueira, montar uma tenda ou a consertar sapatos. E quer fale do seu processo criativo, quer de gatos, de pintura, de câmaras digitais ou de Jane Birkin, o tom da cineasta é sempre o mesmo: afectuoso, limpído e entusiasmado, sensível, empático e instrutivo, nunca pretensioso, narcisístico ou “didáctico”.

No discreto final, Varda desaparecenabrumadeuma das suas queridas praias. Custa pensar que nos deixou, e que não voltaremos a ver filmes seus.

Por Eurico de Barros

Por Eurico de Barros

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Agnés Varda

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