Verão

Filmes, Drama
Escolha dos críticos
4 /5 estrelas
Verão

A Time Out diz

4 /5 estrelas

Imaginem que estão a ver um concerto do vosso grupo 
de rock favorito numa sala de espectáculos, mas não podem levantar-se dos lugares, dançar, gritar ou atirarem-se para cima do carismático vocalista
 e guitarrista. Porque são logo postos na ordem – ou mesmo expulsos – pelo pessoal da sala e por capangas do governo.

Era assim que se viam concertos de rock na URSS, em finais dos anos 70 e inícios da década de 80, pouco antes da morte de Brejnev, em “clubes de rock” criados e geridos pelo Estado. E nos quais só tocavam os grupos aprovados pelas respectivas direcções.

O realizador e encenador
 Kiril Serebrennikov viveu na juventude, em Leninegrado, essa era cinzenta em que o rock fazia entrar alguma luz de alegria, agitação, revolta e esperança. E recorda-a, bem como aos seus protagonistas, em Verão, um filme ora melancólico ora vital, cujo título é o mesmo de duas canções de dois famosos grupos locais: os Zoopark, liderados pelo fleumático Mike Naumenko, e os Kino, do inflexível Viktor Tsoi.

Ao longo das duas horas
 desta fita a preto e branco 
com ocasionais convulsões coloridas, Serebrennikov, que se retrata como o tipo em segundo plano sempre de câmara de filmar na mão e que quer ser cineasta, mostra como Mike foi o mentor de Viktor e o ajudou a chegar à ribalta, e depois se afastou; filma a intromissão (na realidade nunca consumada) de Viktor no casamento de Mike e Natalia, os concertos públicos
e em apartamentos privados, a dificuldade em arranjar os discos, gravações em fita ou piratas dos grupos e cantores ocidentais favoritos. E as frustrações e resignações de quem se queria dedicar a um tipo de música vista com maus olhos pelo Estado de um país totalitário.

Filme político sem o ser de forma estridente e óbvia, Verão evoca, sem revanchismo e
 com delicadeza, este tempo de declínio da URSS em que quem ouvia, tocava e respirava rock procurava ser minimamente feliz. Mesmo morando com a mulher
e um bebé num apartamento pequeno e decrépito, a ganhar um ordenado de contínuo, a ver
o baterista do grupo ir combater para o Afeganistão e a saber que “pouco vale ser a rã número um, quando se vive num pântano”.

Por Eurico de Barros

Por Eurico de Barros

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Detalhes

Detalhes da estreia

Elenco e equipa

Realização
Kirill Serebrennikov
Argumento
Michael Idov

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