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A guesthouse gay onde toda a gente quer ficar

Conheça a The Late Birds, o paraíso gay dos turistas e ideal para escapadinhas românticas na cidade

©DR
The Late Birds, a melhor guesthouse gay de Lisboa

All-male gay urban resort. O rótulo aparece logo assim que abrimos o site da The Late Birds, a desencorajar casais hetero ou mulheres de marcarem aqui a sua escapadela romântica em Lisboa. “Quer dizer, não discriminamos ninguém, mas queremos deixar o nosso target bem claro”, diz Carlos Sanches Ruivo, de 48 anos, um dos dois sócios (ao lado de Sónia Santiago) da guest house no Bairro Alto. 

Já tiveram “uns três ou quatro casais hetero”, recorda Carlos, mas sempre com o consentimento dos outros hóspedes, até porque não querem “que se crie um desfasamento entre o que é expectável”, explica. “É raro haver um sítio assim no centro de Lisboa e há muita gente a querer vir para aqui. Tentamos é sempre responder ao nosso público.”

De facto, é raro encontrar um sítio assim: um verdadeiro oásis gay no meio da cidade, onde não falta uma piscina onde os hóspedes nadam em pleno Inverno – ok, estamos a falar de um hóspede escocês a banhos, ficamos a saber, mas mesmo assim medimos a temperatura da água e estava a 18 graus.

Na guesthouse com 12 quartos, Carlos sabe de cor o nome de todos os hóspedes e quer que, tal como ele, que ali vive, “se sintam em casa”. Tão em casa que pelos quartos estão espalhados livros seus e objectos que foi coleccionando ao longo dos tempos. Por exemplo, uma enorme fotografia antiga em frente a um barco que encontrou no lixo. “Vi um vizinho meu em Paris deitá-la fora e nem queria acreditar.” 

Por falar em fotografias, nas escadas e nos corredores estão espalhadas imagens do antigo prédio da guest house que estava praticamente em ruínas há uns anos. Aliás, a fotografia da capa do álbum de 2013 de Gisela João, a fumar, sentada numa cadeira, é tirada ali antes das obras que duraram 18 meses. “O prédio estava completamente podre e tivemos de fazer uma reconstrução completa.”

A decoração, muito clean, foi feita com gosto e com peças do designer Marco Sousa Santos. Há um bar com gins e vinhos portugueses, espreguiçadeiras perto da pequena piscina onde boia um patinho de borracha e de algumas casas de banho até se consegue avistar o Cristo Rei. Um luxo a partir de 90 euros por noite, com direito a pequeno-almoço a qualquer hora do dia (e um brunch aos domingos) para os late birds que acordam tarde, “depois de uma noite no Finalmente”.

Desde que abriram portas em Abril, 99% dos clientes são estrangeiros e até já se celebrou um casamento gay de um casal de Singapura. “Também projectámos o festival da Eurovisão na parede, com a malta da embaixada da Áustria”, recorda Carlos. “Vieram 50 pessoas e houve gente que acabou na piscina.” Também fizeram parcerias com o Queer Lisboa, o Bear Pride e a Lesboa Party.

A ideia de abrir uma guest house gay partiu de uma “espécie de midlife crisis”. “Sou engenheiro em telecomunicações e audiovisual e quando fiz o meu MBA achei que devia mudar de vida. Quis fazer uma coisa mais pessoal e quando fiz um semestre em Cape Town e fiquei numa guesthouse gay, achei que seria um negócio interessante.”

De tal forma interessante que, com menos de um ano de vida, já está no top de 2016 das escolhas do TripAdvisor para “B&B and Inns” em Portugal (a seguir à inPatio, no Porto).

Em breve, a guesthouse vai-se expandir também para o prédio do lado, com mais quatro quartos, um por piso, curiosamente o mesmo prédio onde morreu Bocage – aliás, a placa que o comprova vai estar mais visível com a remodelação. 

The Late Birds, Tv. André Valente, 21-21-A. 93 300 0962

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