10 canções pop primaveris

A Primavera é uma inesgotável fonte de inspiração para canções: umas entregam-se à celebração do renascer da natureza, outras – as mais interessantes – usam a Primavera como metáfora para a vida amorosa
Best London photos: Iain MacMillian: Beatles Abbey Road, 1969. © Iain MacMillan/BNPS
© Iain MacMillan/BNPS
Por José Carlos Fernandes |
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Simon & Garfunkel e The Beatles ou os contemporâneos Noel and the Whale e The Divine Comedy inspiraram-se na Primavera para criar algumas das melhores canções pop de sempre. Festeje a chegada da nova estação com os phones nas orelhas e o volume no máximo. 

10 canções pop primaveris

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“April Come She Will”, de Simon & Garfunkel

A canção faz parte do segundo álbum do duo, Sounds of Silence (1966, Columbia), e oferece nos seus breves 1’53’’ o cronograma de uma relação amorosa: ela chega em Abril, “quando os cursos de água engrossam com a chuva”, em Junho começa a ficar inquieta e em Julho parte sem dar explicações; em Setembro, do amor restam apenas memórias. Os versos ímpares da letra desta canção composta por Paul Simon durante uma estadia na Grã-Bretanha, em 1964, provêm de uma velha nursery rhyme que reza assim “April come she will/ May she will stay/ June she’ll change her tune/ July she will fly/ August die she must”.

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“Lullaby of Spring”, de Donovan

“Lullaby of Spring” compartilha com “April Come She Will” um travo “arcaico”, evocativo de velhas baladas das Ilhas Britânicas, o que é acentuado pela pronúncia escocesa de Donovan. Mas nesta canção que faz parte do quinto álbum de Donovan, A Gift From a Flower to a Garden (1967, Epic), não há meditações sobre a efemeridade das paixões humanas, apenas uma plácida descrição de uma Primavera campestre, com folhas novas nas árvores, ovos pintalgados nos ninhos e repicar de sinos na torre de uma vetusta igreja.

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“Here Comes the Sun”, dos Beatles

É uma clássica canção de Primavera, embora não esteja entre as obras-primas dos Beatles. Faz parte de Abbey Road (1969, Apple), o penúltimo disco da banda, cuja produção sofisticada e polida não disfarça algum titubeio da inspiração. A canção foi composta por George Harrison, num dia em que se furtou a uma reunião na editora Apple e se refugiou no jardim da casa de Eric Clapton. A música é simples, mas inclui algumas sequências de acordes pouco comuns, reflectindo o interesse de Harrison por música indiana. A letra exprime o alívio pela chegada da Primavera após “um longo e rigoroso Inverno” e, quiçá, por estar a gozar o sol no jardim com um amigo em vez de estar fechado numa sala de reuniões com homens de negócios, e sobre a sua qualidade literária quanto menos se disser, melhor.

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“Spring Rain”, de The Go-Betweens

É a canção de abertura do álbum Liberty Belle and the Black Diamond Express (1986, Beggars Banquet). Os australianos The Go-Betweens já tinham três álbuns registados, mas com carreira discreta, e foi com este que lograram alcançar algum (mais que merecido) reconhecimento. A letra fala de alguém que aguarda que algo – o amor ? – irrompa subitamente na sua vida, como um inesperado e violento aguaceiro de Primavera, e a mude de uma forma radical e surpreendente. A canção foi composta por Robert Forster e evoca a sua adolescência num subúrbio de Brisbane.

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“Spring”, dos Saint Etienne

A rapariga partiu e o rapaz ficou inconsolável, mas há quem se ofereça prontamente para ocupar o lugar vazio no seu coração: “É só a Primavera/ E tu és demasiado novo/ Para dizer que não mais queres saber do amor”. A voz de Sarah Cracknell tem o equilíbrio certo de sensualidade e ligeireza adequada a amores primaveris e a mescla de synthpop e house music cria um ambiente de frescura e descontracção. A canção faz parte de Foxbase Alpha (1991, Heavenly), o álbum de estreia da banda.

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“In Bloom”, dos Nirvana

“In Bloom”, do álbum Nevermind (1991, Geffen), só na aparência é uma canção primaveril. As alusões à estação são sarcásticas – “O tempo altera os humores/ A Primavera está de volta/ Glândulas reprodutoras” – e a época dos rebentos e da floração é aqui associada à adolescência e ao despertar da sexualidade. O principal alvo da letra de Kurt Cobain é a miudagem que se tornou fã da banda mas que, apesar de cantarolar as suas canções, não as compreende. Ironicamente, se “In Bloom” teve algum efeito foi angariar ainda mais público desse género para a banda, pois o single extraído de Nevermind tornou-se numa das canções mais populares da banda e contribuiu para fazer dela um fenómeno de massas.

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“Why Wait?”, de The Guild League

The Guild League foi um projecto lateral de Tali White, vocalista dos The Lucksmiths, uma banda de Brisbane, Austrália, que merecia ser mais conhecida, e “Why Wait?” faz parte do segundo álbum da banda, Inner North (2004, Matinée Recordings). “Num ápice se escoou um ano inteiro/ Os olhos estão inflamados e o ar morno denso/ Com a poalha da vida vegetal em luxúria/ Acordo a transpirar só porque/ Senti o chão a vibrar com o ronronar do frigorífico/ A Primavera está a bater por debaixo da porta”.

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“The First Days of Spring”, de Noah and the Whale

A canção abre o álbum homónimo (2009, Vertigo), o segundo da banda, concebido como resposta ao doloroso fim da relação amorosa do vocalista Charlie Fink com Laura Marling, que fez parte da formação inicial dos Noah and the Whale e saiu em 2008. A canção compara, não muito originalmente, a estação ao início de uma nova vida: “É o primeiro dia de Primavera/ E a minha vida está a começar de novo/ As árvores crescem, o rio corre/ E a sua água levará consigo o meu pecado/ Pois creio que toda a gente/ Tem direito a uma oportunidade para lixar as suas vidas/ Como uma árvore cortada, erguer-me-ei de novo/ Serei maior e mais forte do que nunca”. Com efeito, The First Days of Spring regista um notável progresso no songwriting em relação ao disco de estreia, mas o efeito galvanizador da “dor de corno” foi de curta duração e o terceiro disco da banda revelou-se desconsoladoramente medíocre.

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“Spring Fever”, dos Tiny Moving Parts

Os Tiny Moving Parts são uma “banda familiar” (dois irmãos e um primo) de Benson, Minnesota (não propriamente o centro do universo) e combinam as malhas de guitarra cintilantes e a bateria hiperactiva do math rock com a energia e a expressividade exacerbada do emo. “Spring Fever” faz parte do segundo álbum Pleasant Living (2014, Triple Crown) e retrata alguém que vive fechado sobre si mesmo e nunca percebeu que só o amor permite escapar ao egocentrismo: “Apaixonaste-te por pontes, mas nunca tocaste a água/ Apaixonaste-te por jardins mas nunca tocaste uma flor/ Apaixonaste-te pela Primavera, mas nunca contemplaste a neve a derreter”.

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“The Pop Singer’s Fear of the Pollen Count”, de The Divine Comedy

Poderá haver canções de Primavera mais inspiradas, mas nenhuma tão divertida e soalheira como esta. Faz parte de Liberation (1993, Setanta), o segundo álbum da banda de Neil Hannon. A Primavera é bem recebida por todos, excepto por quem faz do canto a sua profissão – os boletins polínicos são examinados com apreensão, adivinhando um período de espirros, nariz entupido, garganta inflamada, a cabeça prestes a explodir. Mas, confessa Hannon, nem a febre dos fenos lhe esmorece o amor pelo tempo quente. A música irradia uma felicidade tola e é teatralmente orquestrada e ostensivamente irónica.

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Best London photos: Iain MacMillian: Beatles Abbey Road, 1969. © Iain MacMillan/BNPS
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