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FIMFALa Melancolía del Turista, de Oligor y Microscopía

Oito espectáculos para “desconfimfar” até Setembro

O co-director do FIMFA, Luís Vieira, ajuda-nos a traçar o roteiro para a edição especial de Verão do festival, a decorrer em três espaços da cidade.

Raquel Dias da Silva
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Raquel Dias da Silva
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O FIMFA – Festival Internacional de Marionetas e Formas Animadas estava pronto para celebrar 20 anos em Maio. Os organizadores – A Tarumba – estavam preparados (e ansiosos) para a festa e para fazer o balanço destas duas décadas. Mas 2020 trocou-lhes as voltas e foram obrigados a repensar tudo. “Foi um quebra-cabeças”, diz Luís Vieira, co-director artístico do festival. “Reprogramámos o grosso do previsto para 2021, mas tivemos de coordenar as agendas das companhias e dos teatros com a disponibilidade dos artistas. Foi um processo muito complexo, cá e lá fora.” Sem vontade de cancelar a festa (“foi adiada”, insiste Luís), o FIMFA foi-se transformando no Descon’FIMFA, para uma edição especial de Verão, que começa esta quarta-feira, 5 de Agosto, e se estica até 5 de Setembro, por três palcos alfacinhas: Teatro do Bairro, Teatro Taborda e Castelo de São Jorge.

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O que não perder no FIMFA

O espectáculo de abertura do Descon’FIMFA cabe a Jomi Oligor, dos Hermanos Oligor (Espanha), e Shaday Larios, da Microscopía Teatro (México). Vêm apresentar La Melancolía del Turista, uma estreia nacional, que partiu de um trabalho de campo em vários destinos turísticos, actualmente em declínio, para falar sobre o conceito de paraíso. “Trata um tema belíssimo e muito actual, que tem a ver com as viagens, o turismo de massas, a destruição de cidades por esse mesmo turismo e, por outro lado, agora, de certa forma também com a ausência desse turismo”, enquadra Luís Vieira.

Teatro do Bairro. 5 a 9 de Agosto. Qua-Sáb 21.30 e Sáb-Dom 19.00. 8-30€.

A partir de uma mala cheia de cartas de amor de 1900, encontrada no México, desenrola-se a história de um casal, preso entre a ficção e a realidade, numa investigação-homenagem ao objecto-carta e ao correio postal como um símbolo da humanidade. “Este espectáculo, da dupla Oligor y Microcospía, esteve no festival em 2015 e ficou na memória do público”, garante o programador. “Fazia todo o sentido trazê-lo de volta e há um lado muito curioso desta companhia, que é o facto de partirem de objectos e factos reais mas no final nunca sabermos se aqueles personagens realmente existiram, o que é fascinante, porque nos coloca numa zona de desconforto e ao mesmo tempo de maravilhamento.”

Teatro do Bairro. 12 a 15 de Agosto. Qua-Sáb 21.30 e Sáb 19.00. 8-30€.

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Na Berlim dos anos 1920, um grupo de mentes vanguardistas vivia os melhores tempos das suas vidas. Mas depois vieram os nazis e tudo mudou. Que histórias guardam os campos de concentração sobre esses homens marcados e identificados por um triângulo cor-de-rosa no peito? André Murraças tenta responder, no ano em que se marca o 75.º aniversário da libertação do campo de concentração de Auschwitz, com um espectáculo que nos remete para o questionamento de homens duplamente discriminados, por serem judeus e homossexuais, e que eram também músicos, actores, bailarinos ou até bancários. “É uma estreia absoluta, que está a ser co-produzida pelo festival”, revela Luís.

Teatro do Bairro. 20 a 23 de Agosto Qui-Sáb 21.30 e Dom 19.00. 8-30€.

Esta reposição de A Tarumba, inspirada no universo de Gógol e Jacques Prévert, com objectos e figuras articuladas de papel, “traz para a cena o populismo dos nossos dias”, numa colagem de cenas, personagens míticas e referências populares que navegam entre o festival da Eurovisão e a Rússia nos anos 1970, sempre com uma estética kitsch. “Parte do pressuposto de que os louros tomaram o poder, porque todas as pessoas que neste momento estão no poder, com atitudes um bocadinho autocráticas, como o Putin e o Trump, são louras ‒ e os que não eram louros, nós pusemos de louro, ou seja, Bolsonaro também tem umas madeixas”, brinca Luís.

Teatro do Bairro. 26 e 27 de Agosto. Qua-Qui 21.30. 8-30€.

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A Formiga Atómica – estrutura de Miguel Fragata e Inês Barahona que centra o seu trabalho no teatro feito para crianças e adolescentes – volta ao FIMFA, muitos anos depois da estreia, para nos falar de morte e perda, sentimentos ásperos e transversais a qualquer idade. “É um espectáculo um pouco atípico, porque fala sobre a morte a crianças, a partir dos seis anos, para os ajudar a lidar com o tema com mais naturalidade e aceitação. Mas queríamos muito voltar a apresentá-lo.”

Teatro do Bairro. 29 e 30 de Agosto. Sáb-Dom 19.00. 8-30€.

Partindo de um sonho, o trabalho de Igor Gandra fala-nos de um conjunto de esculturas mais ou menos monumentais, que silenciosamente decidiram abandonar as plazas e os átrios dos grandes edifícios das todas-poderosas empresas multinacionais e instituições financeiras um pouco por todo o mundo. Instalação filme-performance, esta é apenas a primeira fase da nova criação do Teatro de Ferro, “que o Igor começou a fazer com um músico que lhe é muito querido, o Carlos Guedes.”

Teatro Taborda. 28 a 30 de Agosto. Sex-Sáb 21.30 e Dom 16.30. 8,56€.

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EntreMundos
Fotografia: Ivu Petru

7. EntreMundos

Pela mão da companhia PIA, o Castelo de São Jorge receberá o único espectáculo ao ar livre desta edição, para nos levar numa viagem por um universo imaginário inspirado na morte, e que convida a reflectir sobre sonhos não realizados. “Tem rodado por muitos lugares, mas nunca esteve em Lisboa, incrivelmente”, destaca Luís Vieira, referindo ainda os Gigantes, marionetas de grande dimensão que “vão animar uma tarde de Verão, para as pessoas voltarem a encontrar-se e a recuperar a convivialidade, que tanta falta nos faz e é também uma das razões porque as pessoas se juntam para ver teatro”.

Castelo de São Jorge. 29 e 30 de Agosto. Sáb-Dom 17.30. Preço do bilhete de entrada para o castelo (10€). Entrada gratuita, mediante comprovativo, para residentes de Lisboa e menores de 12 anos.

Neste espectáculo, que encerra não só o festival como uma trilogia em torno de um casal à beira de um ataque de nervos, a mestre do teatro de objectos Agnès Limbos e o trompetista Gregory Houben mostram-nos “como o capitalismo se renova a si próprio”. E fazem-no, no fundo, através de um retrato irónico e bem-humorado da sociedade actual, em que os extremismos ganham protagonismo.

Teatro do Bairro. 2 a 5 de Setembro. Qua-Sáb 21.30. 8-30€.

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