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O realizador portuense decidiu dar luz à história de duas figuras marcantes da cultura da cidade, que eram também amigos, num filme baptizado de 'Áureos'. Ainda não há data de estreia.

Ainda sem data de estreia, Áureos é um filme que recorda Aurélio Paz dos Reis (1862-1931), pioneiro do cinema português, e a pintora Aurélia de Souza (1866-1922), duas figuras incontornáveis nas memórias da cidade do Porto e que, além do nome, tinham muito mais em comum. Tanto, que eram amigos.
Foi uma das obras vencedoras da edição de 2024 da Bolsa Neves da Filmaporto, um programa de apoio a filmes produzidos na cidade e desenvolvido por residentes no concelho. Áureos, o nome do projecto de Ricardo Leite, preencheu os requisitos e saiu vitorioso, entre uma mão cheia de outras produções. A obra, explica a Filmaporto no site oficial, tem uma “abordagem experimental”, combinando recriação histórica e ficção, e foi filmada em película de 35mm, tal como os filmes de Aurélio Paz dos Reis.
Comerciante e proprietário da loja Flora Portuense – onde mais tarde se instalou a pastelaria Ateneia, na Praça da Liberdade – Aurélio Paz dos Reis foi também fotógrafo amador e realizador, filmando em 1896 A Saída do Pessoal Operário da Fábrica Confiança, inspirado no primeiro filme dos irmãos Lumière e considerada a obra inaugural do cinema português. Um filme mudo, a preto e branco, com cerca de um minuto de duração.
Sua conterrânea e contemporânea era a pintora Aurélia de Souza, que desde cedo teve a oportunidade de desenvolver o seu talento com aulas particulares de pintura, tendo mais tarde frequentado a Academia Portuense de Belas-Artes e a Academia Julian, em Paris. Uma das suas obras está classificada como Tesouro Nacional: "Autorretrato", que integra a colecção do Museu Nacional Soares dos Reis.
Citado pelo Filmaporto, Ricardo Leite confessa admiração pelas duas figuras, mas só há alguns anos descobriu que “além de vizinhos, mantinham uma relação de amizade", acrescentando que "há quem defenda que Aurélio terá sido um dos principais responsáveis pelo fascínio de Aurélia pela fotografia". Uma ligação que se estendia à paixão pelas flores, um dos temas de eleição na obra da pintora.
Rodado em vários locais históricos do Porto, do Bonfim a Miragaia, passando pela praia do Castelo do Queijo, pelo Parque da Cidade e percursos junto ao rio Douro, o filme recorre a imagens gravadas por uma câmara com cerca de 70 anos, utilizada no videoclipe “Chico Fininho” (1981), de Rui Veloso, e propriedade de Sério Fernandes, produtor, realizador e professor portuense. A ligação à botânica também passou pela utilização de negativos de 16mm com processos de revelação biodegradáveis à base de plantas.
Áureos conta com a produção de Catarina de Sousa (Foi Bonita a Festa) e com a interpretação de Jules* Elting, no papel de Aurélia de Souza, enquanto que Ricardo Leite veste, ele próprio, a pele de Aurélio Paz dos Reis. A data de estreia ainda não foi avançada.
Ricardo Leite é autor da curta-metragem A Instalação do Medo (2016), uma adaptação do livro homónimo de Rui Zink, considerada a melhor do ano no Fantasporto e nos Prémios Sophia, em categorias dedicadas a estudantes de cinema. Mais recentemente, assinou a série Capitães do Açúcar, uma produção Maria e Mayer emitida pela RTP1 e disponível nos catálogos de streaming da RTP Play e da HBO Max.
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