Pedro Limão

Restaurantes, Cozinha contemporânea Bonfim
4 /5 estrelas
Pedro Limão
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Pedro Limão
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Pedro Limão
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Há uns anos, à saída de um restaurante com estrela Michelin, perguntei ao chef, que se despedia dos clientes à porta, se ele tinha deitado MDMA na comida. O meu estado de excitação e de alegria era tal que ponderei seriamente a hipótese de me terem drogado a refeição. A resposta foi um não, obviamente, portanto atribuí a felicidade que sentia ao incrível menu de degustação dessa noite e à brilhante harmonização que o escanção fizera com os pratos.

Desde então já me sentei à mesa de muitos
 e bons restaurantes, que me serviram coisas incríveis e que me ensinaram outras tantas. Em quase todos sabia ao que ia, por isso, a surpresa era expectável. Mas numa destas sextas-feiras quentes à noite, e sem ter dado um aviso prévio ao meu sentido retronasal, fui jantar a um simpático restaurante, com poucas mesas,
 ali para os lados do Bonfim, e saí de lá como se tivesse embarcado numa bela trip.

Um óptimo pão de fermentação lenta com massala, cuja acidez provocava uma sensação agradável na boca, vinha acompanhado por um pouco de azeite acidulado, que prolongava esse sabor, e uma boa manteiga aromatizada com especiarias de Goa. Ao lado, um copo de Alvarinho fresco. Bela maneira de começar, pensei. Seguiu-se uma espuma de mexilhão (raramente uma espuma marca pontos comigo, acho-as desinteressantes), com percebes (um deles ainda inteiro e a precisar de ser descascado, com pouco sabor e com muita areia, infelizmente) e ainda umas chips de salsa, o elemento mais interessante do conjunto. O entusiasmo esmoreceu, mas por pouco tempo. Um momento dedicado aos cogumelos fez-me restaurar a fé no chef Pedro Limão e no seu menu de degustação.

Um ravióli al dente, recheado de cogumelos, e acompanhado por maionese e pó de cogumelos, mais cogumelos salteados, em pickle e desidratados, transformou um prato tendencialmente pesado, numa versão divertida e leve.

Depois, um tártaro de novilho fresco com um merengue doce de ostra (um pouco menos de doçura não ficaria mal) e uma divertida gema de ovo curada e prensada. Bonito.

Um vinho branco do Douro acompanhou um caldo de choco, com este molusco bem cozinhado, mais espuma e a sua tinta. A pausa na refeição deu-se logo a seguir e foi feita com gin e espuma de yuzu, um citrino (mais espuma não, por favor).

Demos entrada nos pratos principais, já bastante animados. Apesar de algumas falhas, o arrojo da refeição e o esforço da equipa em dar algo diferente à cidade era evidente, e para nós, dois comilões que choraram a morte do Bourdain, isso é ouro sobre azul.

Um fricassé de bacalhau bem envolvido em ovo, guloso, com uma chip de risoto de azeitona; e uma tenra bochecha de porco de comer à colher, num óptimo molho de carne foram os pratos que se seguiram. Este último trazia espargos crocantes, cozinhados no ponto, mais nabo e tapioca, com um pó de estragão a envolvê-los. Muito bom.

Um tinto biológico acompanhou um dos pontos altos da refeição. Uma pré-sobremesa que passaria bem por uma salada italiana. Queijo de cabra frio e untuoso, uma folha de pesto muito interessante, e espuma de tomate (!). Perfeito. O remate foi feito com tapioca, vinho do Porto e creme de amêndoa. Sob o efeito de estupefacientes ou não, saímos em êxtase.

*As críticas da Time Out dizem respeito a uma ou mais visitas feitas pelos críticos da revista, de forma anónima, à data de publicação em papel. Não nos responsabilizamos nem actualizamos informações relativas a alterações de chef, carta ou espaço. Foi assim que aconteceu.

Por Dulce Dantas Marinho

Publicado:

Nome do local Pedro Limão
Contato
Endereço Rua do Morgado de Mateus, 49
Porto
4000-334
Horário Todos os dias 19.00-23.00
Preço 40€
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