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Cascais com História quer proteger a identidade e tradição do comércio local

A Câmara de Cascais preparou o programa 'Cascais com História' para travar a descaracterização do comércio local. O projecto deverá arrancar em Janeiro de 2027.

Hugo Geada
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Hugo Geada
Jornalista
Restaurante Eduardo das Conquilhas - Balcão
fotografia: Manuel Manso | Eduardo das Conquilhas
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A Câmara Municipal de Cascais está a ultimar os procedimentos para a entrada em vigor do "Cascais com História", um programa destinado a reconhecer, salvaguardar e valorizar os estabelecimentos comerciais, restaurantes e entidades culturais e sociais que definem a identidade e a memória colectiva do concelho. A iniciativa surge no âmbito do enquadramento legislativo nacional “Comércio com História”, acompanhando medidas semelhantes já aplicadas noutros municípios, como Lisboa e Porto.

Em declarações à Time Out Cascais, Frederico Almeida Nunes esclarece que a adopção da medida não se trata de uma simples transposição do modelo lisboeta ou portuense: "Isto é um projecto a nível nacional e queremos adaptá-lo à nossa realidade", diz o vereador, referindo a pressão imobiliária e a descaracterização do tecido empresarial tradicional como as principais motivações para avançar com este plano. "Há um conjunto de estabelecimentos comerciais com história que começaram a desaparecer. Desapareceram porque as vontades de aquisição, hoje em dia, são diferentes. Quando começámos a ver as típicas lojas de fachada a instalarem-se nas ruas, principalmente em Cascais, percebemos que o comércio tradicional estava a desaparecer. Este regulamento vem, precisamente, para resguardar a história desse comércio."

Graças a esta iniciativa, existe a salvaguarda do conceito dos estabelecimentos, independentemente de eventuais transacções de propriedade. Segundo o autarca, a classificação garante a continuidade da tipologia original, mesmo que estes espaços mudem de proprietário. "Isto quer dizer que, sendo uma loja com história, se o proprietário decidir vender o espaço, o conceito vai ter que se manter naquele espaço". Frederico Almeida Nunes dá um exemplo: "Se a livraria Galileu, em Cascais, uma livraria com 40 anos de história, for comprada por uma pessoa que queria fazer uma cafetaria, não é que não possa. Pode, mas tem de manter o nome e a tradição. Não pode deixar de ser livraria, mas pode passar a ser uma livraria com café."

Compras, Livrarias, Livraria Galileu
©Joana FreitasLivraria Galileu

O regulamento abrangerá pequenos negócios tradicionais, lojas de valor histórico e patrimonial e oficinas e associações culturais ou desportivas de interesse local. As candidaturas podem ser apresentadas pelos próprios proprietários, pelas Juntas de Freguesia, por associações de defesa do património ou abertas oficiosamente pelo município.

Questionado sobre a calendarização e eventuais estabelecimentos já integrados, Frederico Almeida Nunes esclarece que a abertura oficial das candidaturas só deverá acontecer no início do próximo ano. "O processo só vai ficar finalizado talvez em Janeiro. Só aí é que as lojas se vão poder começar a candidatar."

Apesar da fase de candidaturas formais ainda não ter arrancado, o vereador sublinha a recepção favorável manifestada recentemente pelos operadores locais e exemplifica vários negócios que, pela longevidade e peso patrimonial, reúnem os requisitos previstos. Entre estes estão referências como o Muchaxo, no Guincho, o Eduardo das Conquilhas e o Toscano, na Parede, ou o restaurante Traquitanas, em Alcabideche.

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