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Aberta desde 1987 , A Merenda tornou-se uma paragem obrigatória para quem gosta de pastelaria tradicional. Fomos conhecer o espaço cujo bolo-rei ganha prémios ano atrás de ano.

Há bairros que se confundem com os espaços a que dão morada. De tal forma que até começam a surgir dúvidas sobre o que surgiu primeiro: o bairro ou a loja. A Merenda, inaugurada em 1987, não faz simplesmente parte do cenário da Parede – o cheiro dos bolos que emana de dentro das suas paredes faz parte do dia-a-dia e dos sentidos das pessoas que moram nesta zona. No entanto, ao longo dos anos, esta padaria, que, actualmente, pertence a Miguel e Rita Florentino, pai e filha, respectivamente, tem vindo a expandir a sua reputação e a tornar-se uma referência a nível nacional. Este ano, não foi diferente, recebendo quatro galardões no 15.º concurso nacional de bolo-rei.
Entre as distinções da iniciativa promovida pela QUALIFICA/oriGIn Portugal, em parceria com o CNEMA, que aconteceu no dia 28 de Outubro, A Merenda conquistou a medalha de prata para o bolo-rei e bolo-rainha, e a medalha de bronze para o bolo-rei escangalhado. Na categoria Inovação, viu ainda o seu bolo-rainha recheado com gila a ser distinguido.
A história desta casa começou em nome da autenticidade artesanal. “A razão da abertura d’A Merenda prende-se com a necessidade de fazer produto de qualidade e servir bem o cliente”, explica Miguel, cujo pai também vinha do ramo da pastelaria. Uma opinião corroborada pela filha. “Temos um fabrico e uma casa que respeitamos, não temos carrinhas na rua, nem fazemos revenda. Prezamos a qualidade da matéria-prima, a recepção do produto e o serviço ao cliente final”, descreve Rita.
A participação nestes concursos começou no concelho de Cascais, onde A Merenda venceu o certame local com o seu bolo-rei e o Folar da Páscoa. As vitórias consecutivas foram tantas que Miguel Florentino decidiu retirar a casa da competição municipal: “Ganhámos tudo o que tínhamos a ganhar em Cascais durante dois anos seguidos. Disse: já não vamos concorrer, ia ser repetitivo. Não fica bem para nós nem para eles”.
A decisão do pai serviu de rastilho a Rita, que decidiu apontar mais alto: “Decidi levar o bolo ao melhor concurso de Portugal, que aconteceu no Porto. Fui, passámos a eliminatória e trouxemos logo medalhas a nível nacional”, recorda a pasteleira, orgulhosa.
Para a dupla, o segredo destas distinções está na selecção de ingredientes frescos. “O forno não é um hospital. Se utilizar uma fruta sem qualidade, ela não vai sair de lá reabilitada. A matéria-prima tem de ser de primeira, os tempos de espera respeitados, pouco fermento, e o resultado fica na boca”, diz Miguel, lembrando a primazia dada aos frutos nacionais, como o pinhão. “Damos-nos ao luxo de ainda usar pinhão no nosso bolo-rei, o que está cada vez mais difícil”, acrescenta Rita.
A massa do clássico bolo-rei, rica e macia, brilha pelo equilíbrio entre os frutos secos e as frutas cristalizadas. O bolo-rainha segue a mesma fórmula, com um tom dourado e uma textura mais farta. Já o bolo-rei escangalhado junta a massa fofa aromatizada com raspas de laranja, limão, canela e licor ao generoso recheio de doce de gila, finalizado com geleia e açúcar. A versão inovadora do bolo-rainha inclui bolo de massa macia e suculenta, aromatizada com raspa de laranja e limão, canela e um toque de licor, com frutos secos e recheio de gila.
“O segredo do sucesso está na consistência”, diz a proprietária. “O bolo que vai a concurso é exactamente o mesmo que o cliente compra no balcão”, diz, revelando, entre risos, que é por isso que os clientes encomendam este bolo, típico do Natal, fora de época. “No cardápio de Natal temos vindo a incluir folar porque pedem, mas na Páscoa temos o bolo-rei, há sempre quem goste de levar. Os clientes pedem e nós fazemos”.
Rua Sampaio Bruno, 127, Lojas 7 e 8 (Parede). Seg-Dom 07.15-20.00
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