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O evento vai ocupar as ruas e praças da cidade, entre 24 e 30 de Junho de 2026. Há sessões com escritores internacionais, mas também exposições, colóquios e concertos.

Chama-se Babell e é o novo festival literário e cultural internacional que vai ocupar as ruas e praças da cidade do Porto com diversas actividades, entre conversas com autores, exposições, concertos e colóquios. O evento foi idealizado e promovido pela Fundação Livraria Lello, com o apoio da Câmara Municipal do Porto, e terá a sua primeira edição no próximo ano, entre os dias 24 e 30 de Junho. Para já, há quatro grandes nomes confirmados: Margaret Atwood, Salman Rushdie, Olga Tokarczuk e Byung-Chul Han.
"Estamos a trabalhar para que este seja o maior e o melhor evento literário em Portugal. Queremos que o livro e a leitura cheguem ao maior número possível de pessoas”, explica Rui Couceiro, comissário do evento, que foi apresentado à imprensa esta quarta-feira na Livraria Lello. O Babell terá produção própria e externa, conta com investimento privado e não terá qualquer retorno financeiro para a Fundação, uma vez que o objectivo é promover e dinamizar o livro e as diversas livrarias e alfarrabistas da cidade.
O nome Babell, sublinha, surge da vontade em sonhar o Porto enquanto cidade-livro: "Em tempo de incompreensões, ódios e conflitos, Babell lembra o mito bíblico da Torre de Babel, mas para afirmar a diversidade linguística e cultural como uma riqueza maior da humanidade e não para separar as pessoas ou gerar incompreensão. Por outro lado, inspiramo-nos também no conceito da Biblioteca Infinita, do conto A Biblioteca de Babel", de Jorge Luís Borges.
A programação do Babell será anunciada em breve e vai contar com alguns dos mais importantes nomes da literatura e do pensamento contemporâneo, bem como figuras de outras formas de expressão artística relacionada com a palavra. Para já, foi confirmada a presença da escritora canadiana Margaret Atwood, autora do bestseller A História de uma Serva; da polaca Olga Tokarczuk, que conquistou o Prémio Nobel da Literatura em 2018; e ainda do escritor britânico Salman Rushdie. Todos irão estar presentes em sessões durante o fim-de-semana de 27 e 28 de Junho.
O evento arranca no dia 24 de Junho, em pleno dia de São João, mas na cidade de Matosinhos. “Vamos até Leça do Balio para inaugurar, ao lado da sede da Fundação Livraria Lello, o maior jardim público construído por iniciativa privada em Portugal nos últimos 100 anos: o Jardim do Pensamento. É um projecto conjunto entre os arquitectos Álvaro Siza Vieira, que contribuirá com 14 esculturas, e Sidónio Pardal”. Byung-Chul Han, um dos maiores nomes da filosofia mundial, vai estar presente na cerimónia de inauguração, "para falar da necessidade de abrandamento, de desligamento e de reaproximação à natureza”.
Além das conversas com escritores que vão ocupar as ruas, praças e outros equipamentos do Porto, o Babell vai ter ainda diversas exposições – uma delas do fotógrafo Daniel Mordzinski, que traz retratos de escritores que foram presos em todo o mundo ao local onde Camilo Castelo Branco também esteve detido: a antiga Cadeia da Relação (actual Centro Português de Fotografia). A programação, a cargo da autora Patrícia Reis, conta ainda com colóquios, concertos, a oferta de livros na rua, iniciativas para crianças e jovens e ainda aulas de história do Porto – desde a história da literatura à gastronomia – promovidas pela autarquia do Porto.
Uma das grandes características do evento será o modelo de acesso às sessões, pensado para contrariar a ideia de que os festivais literários não aumentam necessariamente a quantidade de livros comprados ou os índices de leitura. Apesar de grande parte das sessões ser gratuita, quem quiser um lugar sentado vai ter de utilizar o livro “como moeda de troca” para o conseguir fazer. "Em Babell, todos os que quiserem reservar lugar numa sessão terão que se dirigir a uma das cerca de 70 livrarias e alfarrabistas do Porto e comprar um livro – pode até ser um livro de um euro. A partir desse momento ganham o direito a aceder a uma sessão do festival, sendo que o livreiro vai entregar uma senha para introduzir no site do evento. Aí terá a possibilidade de escolher a sessão a que quer assistir e o lugar onde se quer sentar, tal como fazemos quando vamos ao teatro ou a um concerto”, explica o comissário.
O objectivo, acrescenta, é “levar dezenas de milhares de pessoas às livrarias da cidade” e que este modelo possa ser replicado noutros eventos literários, garantindo que “tem resultados efectivos do ponto de vista do consumo cultural do livro”. Muitas das sessões vão ter capacidade para acolher mais de 2000 pessoas e os locais vão estar distribuídos pelo centro do Porto, com o máximo de 15 minutos de distância para que possam ser percorridos a pé. Está também a ser trabalhada uma solução a nível de mobilidade, com os autocarros da STCP e a Metro do Porto, para garantir o funcionamento dos transportes públicos nesta altura.
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