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Cais-me Bem. O novo restaurante com vista para o Douro e para o Porto cai que nem ginjas

Aposta na cozinha tradicional, no produto português, e em técnicas contemporâneas para uma apresentação mais cuidada. Ah, e o espaço é bem bonito.

Mariana Morais Pinheiro
Escrito por
Mariana Morais Pinheiro
Directora Adjunta, Porto
A vista do Cais-me Bem é um dos seus grandes trunfos
©DR | A vista do Cais-me Bem é um dos seus grandes trunfos
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Há vários motivos para se cair de amores por este restaurante do outro lado do rio. Seja pela vista inefável que mora para lá das janelas, com o Douro e o Porto a exibir a paisagem para um enquadramento perfeito; pela decoração cuidada, que aposta em sofás confortáveis com tecidos texturizados e padrões florais, em estantes repletas de livros e em cerâmicas de cores garridas; ou pela comida, claro, inspirada no receituário português mas trabalhada com técnicas contemporâneas. Seja qual for o pretexto, o Cais-me Bem cai bem. 

“É um restaurante de partilha, que trabalha a regionalidade, aposta no produto local e está assente na cozinha tradicional portuguesa”, explica o chef Ricardo Cardoso, depois do almoço de apresentação do projecto, que encontrou morada no Origine Porto Gaia, o hotel de cinco estrelas instalado na zona ribeirinha de Vila Nova de Gaia. Apesar da sua aparência requintada, quer posicionar-se como um restaurante do dia-a-dia, onde grupos e famílias com crianças são bem-vindos.  

O Cais-me Bem fica em Vila Nova de Gaia
©DRO Cais-me Bem fica em Vila Nova de Gaia

Através das janelas da sala, vê-se o teleférico que sobrevoa os telhados alaranjados dos armazéns de vinho de Gaia, que serviram de inspiração ao chef na hora de criar uma entrada que já se tornou um best-seller da carta: o ovo dourado cozinhado a baixa temperatura com alheira, couve portuguesa e cogumelo-ostra, que surge no prato aconchegado num ninho de massa kataifi estaladiça (11€). “É que daqui vêem-se muitos ninhos de pássaros e gaivotas”, conta. 

Ainda neste capítulo, conte com pataniscas recheadas com generosos pedaços de camarão (12€); e gambas selvagens ao alho com coentros frescos e tostas de azeite e tomilho para acompanhar (14€). Se quiser fazer uma refeição só de petiscos, é fácil. A carta está cheia de propostas, como o bife tártaro (18€), o carpaccio de polvo (15€), a sopa de peixe (9€), a couve-flor assada com avelãs tostadas (10€) ou o grão de bico com beterraba, queijo de cabra e pinhões (14€). Uma boa forma de experimentar um pouco de tudo. 

Peixinhos da horta e gambas selvagens
©DRPeixinhos da horta e gambas selvagens

Os principais dividem-se entre pratos do mar, da terra e vegetarianos. Um arroz caldoso de robalo com algas e amêijoas para partilhar (42€/duas pessoas) espalha o aroma a maresia sobre a mesa – uma boa opção para quem o peixe e o marisco (os bivalves vêm da zona de Aveiro) nunca pode faltar. Da cozinha saem ainda caldeiradas de peixe (40€/duas pessoas), pratos de bacalhau à Brás (22€), ou de polvo e cassoulet de marisco (26€). 

Nas carnes, vai ter de optar entre a bochecha de porco com milho, farrapo velho de alheira e fricassé de cogumelos (24€); entre a paletilha de cordeiro assada a baixa temperatura durante cinco horas, servida com um arroz de forno da zona do Mondego, batata a murro e grelos (55€); ou o ribeye com cremoso de batata e grelos salteados (48€). Se quiser comer algo mesmo tradicional, então mande vir o frango piri-piri com salada e batata frita (22€), uma aposta do chef. “Aqui vamos trabalhar um tipo de produto que não é considerado tão nobre, mas que é muito português, como o frango piri-piri”, atira.  

Ribeye com espargos e cremoso de batata
©DRRibeye com espargos e cremoso de batata

Tagliatelle verde com cogumelos, molho de trufa e amêndoas (16€) e tarte tatin de tomate e crème fraîche (14€) são as opções vegetarianas disponíveis. 

Enquanto as sobremesas não chegam (e olhe que vale mesmo a pena esperar por elas – da mousse servida numa taça ao le feulletine com avelã, chocolate e banana da Madeira, ou o fresco semifrio de ananás e coco – todas a 9€), aproveite para apreciar o espaço, composto por mais duas salas além da principal: um recanto mais intimista, com menos lugares; e ainda uma pequena sala privada, para duas pessoas ou para um pequeno grupo, cujo grande trunfo é a bonita vista. Se os olhos também comem, a expressão é bem empregue aqui. 

Mousse 2.0 com banana da Madeira e avelã
©DRMousse 2.0 com banana da Madeira e avelã

Rua do General Torres, 215 (Cais de Gaia). 91 688 0118. Seg-Dom 12.30-22.30

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