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Do Galo de Barcelos a Medeia: assim arranca a nova temporada do TNSJ

A partir de Setembro, o Teatro Nacional São João entra numa nova temporada. O espectáculo que dá o pontapé de saída é 'Maiúscula', monólogo de Jacinto Lucas Pires, interpretado por Luísa Cruz.

Escrito por
Manuela Bagão
Luísa Cruz
TNSJ | Luísa Cruz sobe ao palco para dar voz e corpo a 'Maiúscila'
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O Teatro Nacional São João (TNSJ) apresentou a nova temporada de espectáculos, que conta com 15 estreias absolutas, seis produções da casa, oito espectáculos internacionais e 18 co-produções. E são vários os pólos do grande teatro portuense, incluindo o Mosteiro de São Bento da Vitória e o Teatro Carlos Alberto (TeCA).

E é no TeCA que abre a temporada, a 9 de Setembro, com Maiúscula, um texto de Jacinto Lucas Pires encenado por Marcos Barbosa, que leva Luísa Cruz ao palco no papel de Benedetta Croce. “Uma actriz de certa idade, que recebe o telefonema de um realizador a propor-lhe um projecto chamado Medeia”, descreve a sinopse do espectáculo que fica em cena apenas cinco dias antes de rumar a outras paragens.

Também em Setembro e no TeCA estreia Kung-Fu, um solo apresentado como uma autobiografia do actor congolês Dieudonné Niangouna, que encara o teatro como uma arte de combate. Com encenação de Renata Portas e interpretação de Diogo Tormenta, acompanhamos um contador de histórias que, ao narrar filmes e aventuras, acaba por descobrir e contar a sua própria vida. Para ver entre 17 e 19 de Setembro.

Destaque ainda para Cantar de Galo que, no TeCA, dá voz ao Galo de Barcelos, revisitando a sua história desde que salvou um homem inocente da forca até ser transformado num símbolo de propaganda do Estado Novo. Uma peça em cena entre 24 e 26 de Setembro, onde o humor e a crítica andam de braço dado e onde o galo acaba por confrontar Salazar. Já no TNSJ entra em cena a 11 e 12 de Setembro a obra Relicário Perpétuo, ópera de Luís Tinoco e Luísa Costa Gomes integrada nas comemorações do V Centenário de Camões.

Jorge Andrade
TNSJJorge Andrade em 'Cantar de Galo'

O diálogo com os clássicos surge igualmente em várias frentes. Gonçalo Waddington encena O Pai (de 8 a 18 Out, TNSJ), de August Strindberg, uma das obras mais marcantes do dramaturgo sueco, centrada no conflito entre um casal e numa disputa pelo poder e pela verdade.

O público poderá ainda reencontrar grandes referências da literatura mundial através de Crime e Castigo (9 e 10 de Out, TeCA), adaptação do romance de Dostoiévski criada pela companhia belga Karyatides; e de Os Miseráveis (11 e 13 de Out, TeCA), inspirado na obra de Victor Hugo e apresentado em formato de teatro de objectos.

A revisitação dos clássicos estende-se também ao património literário português com TPC: Frei Luís de Sousaaaa (de 4 a 7 de Nov, TeCA), dirigido ao público jovem, peça que coloca cinco adolescentes a discutir a actualidade da obra de Almeida Garrett; e Auto da Barca do Inferno (12 e 13 Nov, TNSJ), obra de Gil Vicente que ganha uma nova vida graças à encenação da espanhola Marta Pazos que cruza teatro, dança e artes visuais.

A música terá particular expressão no Mosteiro São Bento da Vitória, Monumento Nacional que reabre após obras no valor de 5 milhões de euros. Um dos grandes momentos acontece a 4 de Outubro com o concerto dos Solistas da Orquestra XXI dedicado a Morton Feldman, um dos nomes maiores da música contemporânea do século XX. A programação completa pode ser consultada no site do TNSJ.

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