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O restaurante fine dining do Tivoli Kopke Porto Gaia tem nova decoração e novo menu, inspirado na sazonalidade e na ligação ibérica. E, quem sabe, novas expectativas para o futuro também.

A vista para o Douro e para os telhados alaranjados das caves de Gaia parece potenciar a reflexão ao entardecer. De olhos postos nos tons azulados do crepúsculo, que lentamente vai tomando conta das duas cidades ribeirinhas, lembramo-nos de todas as expectativas criadas, até ao momento, em redor do 1638 Restaurant & Wine Bar, o restaurante fine dining do Tivoli Kopke Porto Gaia, comandado pelo premiado Nacho Manzano, chef que conquistou para a sua Casa Marcial, nas Astúrias, as tão desejadas três estrelas Michelin.
A primeira expectativa aconteceu logo na abertura, em Fevereiro de 2025, altura em que anunciaram, com grande pompa e circunstância, a cozinha autoral do chef asturiano e apresentaram a experiência gastronómica alicerçada num conceito de blind tasting, um menu que se ia revelando apenas quando os pratos eram servidos.
Depois, veio a gala Michelin em Fevereiro deste ano e, com ela, a expectativa de uma eventual estrela. Não conseguiu, mas entrou directamente para a lista de restaurantes recomendados.
E agora, eis-nos diante de uma nova expectativa: um novo menu, servido num restaurante recentemente renovado que apostou numa decoração mais intimista e acolhedora.
A refeição arranca, então, com a apresentação do chef de sala, do vinho – um rosé da Winemakers Collection da Kopke de 2025 – e um trio de snacks compostos pela croqueta de presunto “Casa Marcial”, “importada” do restaurante espanhol para aqui; pelo crocante de mexilhão; e pela melancia com azeitona Kalamata e anchova. Seguiu-se, logo depois, a salada de Verão, ainda em modo de boas-vindas, com vários elementos refrescantes, como uma espuma de tomate, um granizado de aipo e maçã, um gelado de vinagre, água de tomate e gelatina de pepino. Ambos os momentos prometeram mais do que entregaram e mereciam mais estrutura e sabor. Mas nada que não fosse recuperado ao longo de uma refeição que terminou de forma brilhante. Mas já lá vamos.
O pão de massa mãe com sementes e manteiga dos Açores precede o início dos pratos principais. Dois de peixe para começar, acompanhados por um reserva branco 2023 da Quinta da Boavista. O vinho ligou muito bem com a pescada com molho pil pil, feijão verde braseado e cogumelos Paris, um prato tecnicamente bem executado, que pecou apenas por estar ligeiramente salgado, e fez também uma boa harmonização com o pregado braseado (esse peixe de carnes incríveis e saborosas) com beurre blanc, curgete e praliné de pinhões. Um prato muito bom, bem feito e com óptimos ingredientes, que inaugurou uma espécie de hat-trick gastronómico e que deixou antever o porquê das três estrelas nas Astúrias.
“A nossa costa é fantástica, muito forte em peixes e mariscos, e esta altura do ano pede exactamente isso nas nossas mesas. O peixe e o marisco é aquilo que nos representa além fronteiras”, diz à Time Out Tony Salgado, chef executivo e braço direito de Nacho Manzano, explicando o novo menu e também o porquê de escolher pombo – ingrediente nem sempre consensual –, para o prato de carne. “O pombo é um desafio. Leva uma marinada ligada ao mar, feita com uma selecção de algas, onde fica durante dois dias. E isso confere uma salinidade natural e maciez à carne. É uma carne que pode provocar estranheza, mas quando as pessoas a provam, percebem que é macia e que não é nada intensa”.
E assim, o peito de pombo selvagem com raízes de salicórnia, almôndega de boleto e puré de cherovia, com a carne cozinhada no ponto certo, tenra e saborosa, tornou-se num dos melhores pratos de toda a refeição. Ao lado, o par certeiro: um tinto Touriga Nacional Burmester 2022.
A sobremesa não se deixou intimidar e a refeição foi rematada por um belíssimo arroz doce cremoso com trufa, cristal de caramelo, gelatina de aguardente Kopke e zest de lima kaffir. “Este momento funciona como uma ligação entre os dois países. Espanha tem o arroz com leche, nós temos o arroz doce. Quisemos transmitir essa ligação, mas com um registo diferente e, por isso, o arroz, que tem uma cozedura de quatro horas, faz, previamente, um estágio de 24 horas em leite aromatizado com limão, laranja e canela”, enumera Tony Salgado.
Por fim, os petit fours (que dão vontade de pedir mais para levar para casa, sobretudo o óptimo bolo de milho e praliné Kikos que parece uma nuvem fofa a saber a pipoca) completam o menu de 11 momentos (110€/pessoa). Há um outro, mais extenso, com 14 etapas (140€/pessoa) e se quiser optar pelo pairing de vinhos completo, o preço acresce 40€/pessoa, um valor bastante generoso, actualmente, sobretudo se pensarmos que o pairing essencial de quatro vinhos, que disponibilizam, já se encontra incluído nos menus de 11 e 14 momentos. É de aproveitar.
Rua do Barão de Forrester, 69 (Vila Nova de Gaia). 93 924 2932. Ter-Sáb 19.30 e 21.00
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