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De 10 a 19 de Outubro, vários espaços do Porto acolhem a programação da 36.ª edição do Festival Internacional de Marionetas do Porto (FIMP), um evento pluridisciplinar que tem as marionetas, os objectos e o corpo no centro das atenções.

São 25 as companhias que integram a próxima edição do FIMP, 12 das quais oriundas de vários pontos do país. Este ano, a programação orienta-se pelo lema “De dentro para fora, de fora para dentro, de trás para a frente e por aí adiante…”, que não só nos convida a olhar para dentro de nós, mas também para o mundo que nos rodeia, aqui reforçado pelas 13 companhias vindas de outros países, alguns muito diferentes do nosso. Ao mesmo tempo, a programação propõe um olhar para o passado para entender o presente e abrir espaço à imaginação e experimentação. Um verdadeiro mapa em movimento que irá guiar o público através de diversas formas de ver, de sentir e de interagir com o corpo, a arte e o tempo.
A pluralidade começa mesmo aqui, porque o FIMP irá passar por locais da cidade muito diferentes e alguns deles são conhecidas salas de espectáculo do Porto. É o caso do Rivoli, do Teatro do Campo Alegre, do Teatro Nacional São João, do Teatro Carlos Alberto, do Teatro do Bolhão e também dos teatros Constantino Nery, Belomonte e do Teatro de Ferro. Mas como no FIMP se pode esperar o inesperado, a programação também passa pela galeria Espaço Mira, pelo Jardim de São Lázaro e pelo Metro do Porto. Tem ainda uma extensão em São Tomé e Príncipe, no Espaço Cacau, mas pode ficar um pouco fora de mão.
Não é bem, bem um espectáculo. Mas chama-se a “A Abertura da Abertura 2025” e é um vídeo que será exibido, em permanência, nas redes sociais do festival e também nas estações de Metro do Porto e nos teatros parceiros. Um filme de acção protagonizado por “objectos que não gostam de estar quietos”, lê-se na programação. Da autoria de João Pedro Trindade e Raúl Constante Pereira, é composto por uma sequência de acções em cadeia, que incluem “quedas, rolamentos, saltos e sobressaltos, maquinetas e engenhocas”.
Muita coisa. Aveiro, Lisboa ou Leiria levam ao Porto alguns dos seus talentos, mas comecemos pelos da casa: Joana Providência regressa ao teatro de marionetas com o Teatro do Bolhão, com As Mais Belas Coisas do Mundo, a partir do texto de Valter Hugo Mãe, num diálogo entre um avô e um neto sobre a beleza e a necessidade de acreditar, que aqui toma a forma de um diálogo entre marioneta e actor. Também em cena estará o Teatro de Ferro, com A Tripa, uma pequena performance inspirada na tripa enfarinhada, símbolo da gastronomia portuense que aqui será protagonista. Em estreia absoluta chega o Sr. Aníbal, espectáculo da companhia Marionetas do Porto, uma reflexão poética sobre a velhice, a solidão e as memórias que carregam os objectos, acompanhando a rotina de um octagenário, cheia de contratempos.
Austrália, Bélgica, Brasil, Filipinas, Líbano, Alemanha, Países Baixos, França, Escócia, Inglaterra e Espanha são os países representados na programação do FIMP, todos com propostas muito diferentes. Por exemplo, a companhia neerlandesa Hotel Modern traz na mala Shrimp Tales, uma história satírica sobre a praga da humanidade, protagonizada por camarões (e um título que tanto se traduz em Contos de Camarão como em Caudas de Camarão). Um espectáculo de teatro-cinema em tempo real, com cenários em miniatura, música e sonoplastia ao vivo. Destaque ainda para o Collectif Kahraba (Líbano), que finalmente chega ao Porto com Géologies d’Une Fable, espectáculo adiado em 2024, na sequência da invasão do Líbano pelas forças militares de Israel. Esta peça combina narração, dança e manipulação de objectos, onde o elemento central é o barro, modelado ao vivo por dois artistas, dando vida a figuras e espaços.
Sim, a programação do FIMP inclui um conjunto de masterclasses e workshops que permite um envolvimento ainda maior com o teatro de marionetas, de forma criativa. Entre as aprendizagens inclui-se manipulação de objectos com videomapping ou construção de marionetas a partir de materiais reutilizados. As actividades requerem inscrição e decorrem em vários teatros da cidade. E entre 11 de Outubro e 2 de Novembro, no Teatro Carlos Alberto, a companhia portuense Limite Zero assinala 22 de anos de criação artística com uma exposição imersiva e sensorial chamada “22 anos de Formas Animadas”.
Nas bilheteiras de cada espaço ou na plataforma BOL.
Vários locais e horários. De 10 a 19 de Outubro. Bilhetes: 2,50€-12€
+ Em Outubro, os carrinhos de choque ocupam a pista de circo do Coliseu
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