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No coração do Douro, a Quinta Vale Dona Maria abriu as portas ao enoturismo

A histórica quinta localizada em Ervedosa do Douro reforçou a oferta de enoturismo na região. O novo espaço tem visitas guiadas à adega, provas e masterclasses.

Ana Catarina Peixoto
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Ana Catarina Peixoto
Jornalista, Porto
Quinta Vale Dona Maria
DR | Quinta Vale Dona Maria
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Os socalcos desenhados ao longo dos séculos e o verde intenso das vinhas marcam o caminho até à Quinta Vale Dona Maria, em Ervedosa do Douro. A história desta quinta conta já com mais de 150 anos, muitos deles marcados pelo papel que teve no início da produção dos vinhos DOC Douro a partir das suas vinhas velhas – com mais de 80 anos. Tudo se mantém intacto e intocável na sua essência. Mas há também novidades a pairar no ar: a quinta abriu portas aos visitantes e tem agora um espaço de enoturismo, concebido para proporcionar uma experiência que cruza vinho, arquitectura, paisagem e património.

O projecto foi inaugurado este mês, contou com um investimento de 1,5 milhões de euros e contempla uma sala de provas com capacidade para 24 pessoas, uma adega expositiva dedicada às vinhas velhas e ainda diferentes experiências vínicas e gastronómicas. É, nas palavras de Chantal Guilhonato, responsável de comunicação da Aveleda, que em 2017 adquiriu esta quinta, um projecto que “preserva o legado que aqui existe, mas de olhos postos no futuro”. Entrámos no novo espaço para ver o que reserva esta nova oferta de enoturismo no Douro.

Quinta Vale Dona Maria
DRQuinta Vale Dona Maria

Uma viagem pelas vinhas velhas

A paisagem inconfundível do Douro mantém-se sempre à vista. Pelo meio, e integrado no espaço, há um conjunto de edifícios que chama a atenção: são da cor de um vinho tinto e foram projectados pelo arquitecto Diogo Aguiar. O objectivo deste novo espaço é levar os visitantes numa viagem pelas histórias da quinta, pelas suas vinhas velhas e pela forma como esta vive e interpreta o Douro. “O homem vive de histórias e da sua partilha. Por mais que os tempos mudem estamos sempre a contar histórias uns aos outros. O compromisso de sermos guardiões de vinhas velhas é tão mais reforçado quanto mais novos embaixadores temos”, explica Chantal Guilhonato. Ao seu lado, Rita Ferreira, coordenadora de enoturismo desta quinta, começa a visita pelo novo espaço.

Da zona de recepção, que é também a loja onde podem ser adquiridos os vinhos da marca, segue-se o caminho até ao ponto central de toda a quinta: as vinhas velhas, que ocupam 15 dos mais de 35 hectares desta quinta dedicados à produção de vinho. Segue-se o edifício com quatro grandes lagares de granito, onde o vinho da quinta é produzido desde 1996 e ainda utilizando a técnica de pisa a pé nas vindimas.

Quinta Vale Dona Maria
DRQuinta Vale Dona Maria

Uma das grandes características da Quinta Vale Dona Maria – que se acredita ter herdado o nome por ter nascido na segunda demarcação do Douro, durante o reinado de Dona Maria – é a sua história de irreverência e diferença ao longo dos anos. Em 1996, Cristiano Van Zeller comprou esta quinta e quis fazer diferente do que se passava no Douro e à volta. Em primeiro lugar, decidiu apostar na preservação das vinhas velhas desta quinta ao invés da replantação de vinha nova para aumentar a produção; e decidiu também investir nos vinhos DOC Douro, em vez de olhar apenas para o vinho do Porto. A aposta foi um sucesso e fez desta quinta um dos grandes espaços de produção dos DOC Douro.

No piso de baixo encontra-se a Adega Expositiva – Guardião das Vinhas Velhas, um espaço onde os visitantes poderão ver cinco tonéis e dois balseiros e conhecer de perto a colecção de vinhas que compõe a Quinta Vale Dona Maria – desde as icónicas Vinhas Velhas à Vinha de Martim, a única vinha velha com castas de vinho branco; passando pela mais recente Vinha da Francisca, pela Vinha do Rio, uma das vinhas mais antigas; e ainda pela Vinha do Moinho, uma parcela das mais raras.

Provas, masterclasses e gastronomia

O projecto para este novo espaço, explica Chantal Guilhonato, esteve a ser pensado durante cerca de dois anos, sempre com o objectivo de manter a essência do espaço e oferece uma nova opção de enoturismo no Douro. Ainda antes do investimento no novo edifício, houve um investimento nas vinhas. “Só mostra o respeito do homem pelo terroir. Ser guardião de uma vinha velha é, acima de tudo, respeitá-la. É a mesma coisa no projecto de arquitectura: há aqui um profundo respeito por parte do arquitecto no sentido de preservar e depois reabilitar, dentro daquilo que é necessário. E sempre com este grande respeito por um legado e pelo passado, mas de olhos postos no futuro”, explica.

Quinta Vale Dona Maria
DRQuinta Vale Dona Maria

O percurso termina na sala de barricas, onde se encontram milhares de garrafas de vinho da Quinta Vale Dona Maria. O espaço está dividido em duas partes: uma dedicada aos DOC Douro e outra aos vinhos do Porto. É aqui que os visitantes poderão ter acesso a diversas provas de vinho e masterclasses adaptadas e personalizadas. No que toca às provas de vinho, pode optar pela Prova Douro Clássico (30€), com três vinhos do portfólio da quinta; por uma experiência para explorar os vários estilos do Douro, com a Prova Expressões do Douro (50€); pela Prova Essência dos Terroirs (80€), dedicada aos terroirs das vinhas velhas; e ainda pela Prova Guardiões das Vinhas Velhas (150€), com as grandes referências de vinhos DOC Douro da marca e um vinho do Porto Colheita 1940.

Já nas masterclasses existe a vintage (80€), que convida a explorar diferentes colheitas de vinhos do Porto Vintage; a Vinhas Velhas (80€), que dá a oportunidade para comparar quatro anos distintos de vinhos Quinta Vale Dona Maria; e pode ainda optar por uma experiência mais exclusiva com um enólogo (125€). Se a fome apertar, estão também preparadas harmonizações gastronómicas, entre experiências com produtos locais (10€) a piqueniques no Douro (25€) ou até, sob consulta, refeições completas na sala de jantar da casa, preparadas pelo chef Miguel Monteiro.

EM502 (Serzedinho, Ervedosa do Douro). 93 851 6075. Seg, Qua-Dom 09.30-18.00

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