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O normal é não ter vergonha. A Norm., loja de cuecas menstruais bonitas e sustentáveis, abriu no Porto

Depois de um pop-up e uma loja em Lisboa, a marca rumou a norte para quebrar tabus e falar da saúde da mulher sem rodeios.

Mariana Morais Pinheiro
Escrito por
Mariana Morais Pinheiro
Directora Adjunta, Porto
Norm. fica no centro do Porto
DR | Norm. fica no centro do Porto
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Pela porta envidraçada entram mulheres de todas as idades. Umas vêm sozinhas e outras, mais jovens, vêm com as mães. Há amigas, maridos e namorados. E até malta em cadeira de rodas, já que a loja está adaptada a quem têm mobilidade reduzida. À porta, do lado de fora, ficam apenas a vergonha e o tabu. A Norm., marca de roupa íntima menstrual, produzida em Portugal de forma sustentável, ecologicamente consciente e sem químicos nocivos, abriu em Outubro na Rua Formosa, com o propósito de tornar as mulheres igualmente formosas, mesmo naqueles dias mais complicados do mês. Mas não só.

As irmãs Ana Patrícia e Ana Cristina, juntamente com Catarina que desenvolve a parte do marketing e da comunicação da marca, são o rosto e as mentoras da Norm. e falam desempoeiradas de um assunto que ainda permanece envolto em algum embaraço e desinformação e muito circunscrito à esfera da mulher. “Já usamos cuecas menstruais desde 2017, mais ou menos. Conhecemos o método no Brasil, onde era bem mais divulgado, e, um dia, em conversa com a Catarina, percebemos que todas usavámos cuecas menstruais”, relembra Ana Cristina. “Há quem chegue aqui com um bocadinho de vergonha, mas passados dois minutos já somos amigas, a falar sobre tudo. Aliás, os testemunhos que estão no nosso site, reflectem as nossas próprias experiências com as cuecas que produzimos”, acrescenta Ana Patrícia. 

Ana Cristina, Ana Patrícia e Catarina, as fundadoras da Norm.
©DRAna Cristina, Ana Patrícia e Catarina, as fundadoras da Norm.

Fascinadas com a descoberta de mais um método de recolha de sangue menstrual, “bem mais confortável, reutilizável e ecológico”, mas ainda desconhecido de muita gente, perceberam em conjunto que havia uma lacuna em Portugal. “O feedback que tínhamos é que eram cuecas muito grandes, estilo fralda, que não assentavam bem no corpo feminino. E pensámos que dava para fazer algo giro, já que temos boas confecções aqui em Portugal, produzimos óptimos tecidos e temos muito conhecimento”, atira Ana Patrícia. 

As cuecas menstruais da Norm., produzidas com tecidos maioritariamente portugueses (a renda é italiana), viram a luz do dia dois anos depois, em 2022. “Nós sabíamos que queríamos utilizar tudo o mais sustentável possível e com uma origem renovável. Portanto, a nossa renda é feita com fio reciclado e mantém exactamente o mesmo conforto, e utilizamos o tencel, que é feito através de polpa de fibra. Por dentro, temos algodão orgânico”, descreve a irmã. 

Linha de bikinis e fatos de banho da Norm.
DRLinha de bikinis e fatos de banho da Norm.

Lançaram o site com apenas um modelo de cuecas em três cores diferentes, para ver como era a receptividade. “E foi muito boa”, asseguram. O passo seguinte foi abrir uma loja pop-up em Campo de Ourique e, ainda antes de se instalarem na loja que agora têm de forma permanente na capital, na Rua Francisco Metrass, no mesmo bairro, começaram a alinhavar a abertura de uma outra no Porto. 

A comunidade a norte é grande (cerca de uma em cada quatro encomendas da loja virtual vem do norte do país), com o Porto a ser a segunda cidade com mais pedidos online, logo a seguir a Lisboa. “E em terceiro lugar está Braga e, depois, Gaia”, diz Ana Cristina, acrescentando que o facto de serem ambas naturais de Guimarães também pesou na equação na altura de abrir esta nova loja. A tudo isto, somaram-se os pedidos insistentes das clientes por uma loja física, que também queriam participar nos eventos e nas campanhas da marca, que aconteciam quase sempre em Lisboa.

Linha 'Touch Yourself' para a sensibilização do cancro da mama
DRLinha 'Touch Yourself' para a sensibilização do cancro da mama

Mais do que cuecas, aqui vende-se saúde

Às cuecas menstruais originais, começaram a juntar-se outros modelos, todos baptizados com nomes de mulheres – Helena, Bárbara, Carmo, Antónia ou Letícia – com cortes básicos, cinturas altas ou baixas ou cobertos de rendas. Todos tão bonitos que as clientes começaram a pedir soutiens para as acompanhar e terem, assim, uma lingerie menstrual. E não demorou muito até aparecer também uma linha de bikinis e fatos de banho e outra dedicada a cuecas diárias com maior área de absorção.

Mas nesta acolhedora loja de esquina faz-se muito mais do que vender roupa interior feminina – ainda que especial. As donas querem criar uma comunidade, quebrar tabus e investir na saúde da mulher e, para isso, vão contar com uma série de campanhas, conversas e actividades que darão palco a um assunto que ainda vive sob o véu da vergonha e do recato, mas que abre espaço para muitos outros temas, do cancro da mama à endometriose, por exemplo.

Rua Formosa, 109 (Bonfim). 93 499 8512. Seg-Sáb 10.00-13.30; 14.30-19.00.

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