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O Oitavo Oceano. A pequena “tasca curiosa” que quer dar a conhecer novos mundos ao mundo

Neste pequeno restaurante no Bonfim acontece uma espécie de one man show gastronómico, onde se cruza a comida do mundo com leveza e graciosidade.

Mariana Morais Pinheiro
Escrito por
Mariana Morais Pinheiro
Directora Adjunta, Porto
O Oitavo Oceano fica no Bonfim
© MMP | O Oitavo Oceano fica no Bonfim
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O conhecimento que temos sobre o mundo dita que cinco oceanos lhe cobrem a superfície, mas desconhece o oitavo que banha a rua do Bonfim. É nesta “tasca curiosa”, como Dagan gosta de chamar ao seu pequeno espaço – baptizado de O Oitavo Oceano e onde oferece uma espécie de one man show gastronómico –, que o chinês, vindo de Hong Kong, decidiu prender amarras e mostrar, através da comida, um pouco da sua diáspora pessoal. Aventura-se pela cozinha do mundo e de fusão, como se desbravasse “mares nunca dantes navegados”.

“Sempre viajei muito para comer, com o intuito de conhecer gastronomicamente outros países. Quando regressava a casa, recriava a comida dos sítios por onde havia passado. Por isso é que na carta encontramos influências do México, do Peru, de Marrocos, da Índia…”, enumera Dagan, que vive no Porto há sete anos. “A primeira vez que vim cá foi em 2010. Gostei tanto que fiquei com vontade de vir para cá morar um dia”, conta. Antes de abrir esta pequena pérola no coração do Bonfim (onde trabalha meticulosamente atrás do balcão, num ritmo ciente e cadenciado), teve, durante dois anos, um supperclub clandestino em casa, onde dava asas à criatividade, sem limites ou imposições do “mundo conhecido”.

Mushroom tan tan
© MMPMushroom tan tan

A carta d'O Oitavo Oceano é curta, delicada e perfeita na sua proporção – de um homem na cozinha, para dez pessoas sentadas na mesa comunitária e mais três ao balcão. E está dividida em noods (ou noodles), sando (sandes), rice (arroz) e soups (sopas). Simples. E para cada uma das categorias há apenas duas opções. Nos noods, por exemplo, encontra o mushroom tan tan, um caldo rico guarnecido com massa, ovo e diferentes variedades de cogumelos (12€) e o Taiwanese Beef (15€), um prato típico de Taiwan, preparado com carne de vaca e aromatizado com soja, alho, gengibre e especiarias, como o anis estrelado. “Duas opções mais viradas para a China e para o Japão”, explica, acrescentando que a carta vai variando com frequência.

khao man gai
© MMPKhao man gai, prato típico tailandês

Depois, nas sando, pode escolher entre as Nashville Hot Chicken via Seoul, uma espécie de east meets west (9€), onde ao frango frito do Tennessee, nos Estados Unidos, se junta a aromática cozinha sul-coreana; ou, então, os muito recomendáveis e divertidos tacos de pato à Pequim (9€), com este prato icónico chinês a ser servido sobre tortilhas mexicanas. Arroz com cogumelos shiitake (12€) e khao man gai, um dos mais conhecidos pratos de comida de rua tailandesa, composto por frango e arroz, são as opções dedicadas a este cereal (ambos a 12€).

Por fim, as sopas. Um Hong Kong borscht (5€), a representar a Europa de Leste, com uma sopa de raiz ucraniana; e a muito francesa vichyssoise (6€). Quando Dagan tem tempo de as confeccionar, as sobremesas podem ser escolhidas da vitrina à entrada do restaurante, com uma decoração marcadamente oriental, mas com referências a outras latitudes. Para acompanhar há vinho, sakê a copo, cervejas artesanais e chás, vários, dispostos numa “livraria de chás”, com opções que vão do jasmim, oolong, pu-erh ou Ceilão à muito argentina yerba mate.   

Tacos de pato à Pequim
© MMPTacos de pato à Pequim

Rua do Bonfim, 345. Qua-Sáb 12.00-15.00; 19.30-22.30

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