Notícias

Porto Femme regressa em Abril, com foco no trabalho e nas desigualdades de género

A próxima edição do Porto Femme International Film Festival regressa ao Porto entre 20 e 26 de Abril e vai reflectir sobre as desigualdades de género no mundo do trabalho.

Escrito por
Manuela Bagão
Bárbara Virgínia
©DR | Três Dias Sem Deus (1946), de Bárbara Virgínia
Publicidade

Vários espaços culturais da cidade do Porto preparam-se para acolher a 9.ª edição do festival de cinema Porto Femme que, mais uma vez, vai dar lugar ao cinema feito por mulheres e pessoas não binárias. A programação está a ser desenhada em torno do tema do trabalho, e de todas as questões sociais, culturais e políticas que o orbitam.

Batalha Centro de Cinema, Casa Comum, Universidade Lusófona do Porto, Passos Manuel, Maus Hábitos, Mira Galerias, Galeria Nuno Centeno e Casa das Associações são os locais por onde irá passar a programação do Porto Femme. Embora ainda não seja conhecida, a organização revela que a programação desta edição do festival “aborda o trabalho no cinema a partir de uma perspectiva de género, questionando as desigualdades e explorando as dimensões do trabalho na esfera doméstica, no cuidado e na vida profissional”.

Se actualmente apenas 21% das longas-metragens de ficção são realizadas por mulheres, a história está cheia de casos de invisibilidade no sector audiovisual, nas mais diversas funções, entre trabalhos esquecidos ou mesmo apagados dos arquivos.

Amélia Borges Rodrigues
©DRCascaes (1937), de Amélia Borges Rodrigues

Por isso mesmo, o Porto Femme dará espaço ao ciclo Pioneiras do Cinema Português, realizado em parceria com a Cinemateca Portuguesa, e entre os filmes do cartaz estarão Cascaes (1937), de Amélia Borges Rodrigues, cineasta açoriana radicada no Brasil que, entre 1934 e 1937, produziu e realizou mais de três dezenas de filmes sobre diferentes regiões portuguesas.

Para ver, há também filmes de Bárbara Virgínia, nome de destaque no cinema pós II Guerra Mundial. São eles a curta-metragem A Aldeia dos Rapazes – Orfanato Santa Isabel de Albarraque (1946) e o trailer de Três Dias Sem Deus (1946), obra “mutilada pelo tempo”, lê-se num comunicado do Porto Femme, que tornou a cineasta a primeira mulher a realizar uma longa-metragem sonora em Portugal. O filme foi ainda seleccionado para representar o país na primeira edição do Festival de Cannes.

A programação completa será anunciada no início do mês de Abril.

+ Neopop celebra 20 anos com Jeff Mills, Ben Klock e muita festa

+ A celebrar uma década, Festival Dias da Dança ocupa Porto, Gaia e Matosinhos com 50 espectáculos

Últimas notícias
    Publicidade