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Organizado pelo Matadouro - Centro Cultural do Porto, o programa "Caminhos a Oriente" tem 31 percursos, com três curadores, para observar e escutar o Vale de Campanhã.

No seu primeiro programa fora de portas, o Matadouro – Centro Cultural do Porto propõe caminhar pela zona oriental da cidade. Um acto que, segundo o sociólogo Virgílio Borges Pereira, é a melhor forma de conhecer um território e de traçar um mapa fiel à sua identidade. É este o objectivo do “Caminhos a Oriente”, um conjunto de 31 caminhadas semanais, orientadas por convidados de diferentes áreas, para observar e escutar o Vale de Campanhã. Os percursos, abertos à participação de todos, decorrem entre Março e Novembro deste ano, sendo a primeira já este domingo, dia 22 de Março.
“Este é um projecto errante, mas certeiro: vem desocultar uma paisagem sob um manto de invisibilidade, restituir-lhe memórias e vivências. O melhor modo de celebrar um património é voltar a vivê-lo e imaginá-lo” explicou Jorge Sobral, vereador da Cultura da Câmara Municipal do Porto, durante a apresentação deste projecto, que decorreu esta quarta-feira. O vereador recorda que "este é um exercício para resgatar e reviver formas de ocupação, de uso e de desenho colectivo deste território”.
O programa tem a coordenação de João Covita, director executivo da Direcção de Convergências da Ágora, e foi desenvolvido por três curadores convidados, cada um com um eixo programático diferente para explorar o território. O arquitecto, investigador e artista Mário Mesquita está a cargo do eixo “Povoamento - Territórios Transformados”, com dez percursos que incidem sobre as marcas e a acção humana no Vale de Campanhã, das aldeias à água, passando pela indústria, a natureza, a acessibilidade, as comunidades, o trabalho e o património.
Já a coreógrafa e performer Ana Rocha assume o eixo “Criação - Territórios Imaginados”, com o objectivo de explorar a criação artística em torno deste território “habitado por lastros de artistas e pensadores portuenses de outros séculos e hoje por colectivos artísticos e múltiplas expressões culturais e sociais”. Por fim, o terceiro eixo – “Identidade - Territórios Vividos” – está a cargo do sociólogo Virgílio Borges Pereira, que propõe uma abordagem sociológica às memórias e rotinas dos habitantes da zona Oriental do Porto.
Os “Caminhos a Oriente” são também resultado de “um impulso” que Jorge Sobrado sentiu: “Tinha vontade de replicar, com identidade própria, a experiência feliz que fizemos dos Caminhos do Romântico, na zona ocidental do Vale de Massarelos e que trouxeram ao visível um território invisível, desocultaram uma paisagem que tendia para uma certa ocultação, para uma certa invisibilidade e desmemoriação”, explica. No futuro, o objectivo é que todo este trabalho de pesquisa e de contacto com o território resulte na elaboração de um livro sobre a zona oriental da cidade.
A caminhada inaugural acontece já este domingo, dia 22 de Março, entre as 11.00 e as 12.30, com o tema “Transições da paisagem - dos cruzamentos urbanos à amplitude do Vale”. O percurso convida “a estar debaixo da VCI, para simbolicamente enfatizar que a VCI é um elemento da paisagem urbana que, de certa forma, divide a Zona Oriental. A proposta é pensar como é que, através de contacto humano e em conjunto, podemos transportar essa barreira”, refere Virgílio Pereira. O ponto de encontro é na Fonte da Nossa Senhora de Campanhã (fonte da Bonjóia) e as inscrições já estão abertas.
O programa segue caminho no dia 29 de Março, com Mário Mesquita a orientar um percurso pelas aldeias do Vale de Campanhã (“Entre Aldeias - da Quinta da China a Noeda”). Tome ainda nota das próximas datas: no dia 5 de Abril, Ana Rocha leva-nos a fazer uma auscultação sensível entre o bairro de Costa Cabral e Contumil (“De onde e como partimos”); no dia 12 de Abril será a vez de Virgílio Borges Pereira orientar o percurso “Caminhar a política do espaço”; e no dia 19 realiza-se o percurso “Indústrias em transformação - a Rua do Freixo”, com uma caminhada pela paisagem industrial nos arruamentos do Freixo, orientada pela arquitecta Raquel Paulino. Para terminar a agenda de Abril, no dia 26 há “Um lugar pode contar a história de outros”, com José Baessa de Pina, também conhecido como Sinho, para explorar as presenças afro-descendentes, africanas e diaspóricas que habitam Campanhã.
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