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É um dos grandes nomes da pintura norte-americana do século passado e chega pela primeira vez a Portugal. A exposição 'Alice Neel: Beautifully Imperfect' estreia-se em Serralves esta quinta-feira e reúne cerca de 90 obras da artista.

Durante mais de seis décadas, Alice Neel (1900-1984) retratou o mundo à sua volta. Pintou paisagens e naturezas-mortas mas, sobretudo, pessoas: vizinhos, amigos, artistas, activistas, trabalhadores e muitas mulheres. À margem das correntes artísticas dominantes, desenvolveu uma linguagem própria, marcada por um traço expressionista e uma forte consciência social. O seu legado tornou-se um retrato singular da América do século XX, embora o reconhecimento só tenha chegado tardiamente. Recentemente, a sua obra passou pelo Guggenheim Bilbao e pelo Centre Georges Pompidou e agora estreia-se em Portugal, numa exposição desenhada pelo Museu de Serralves.
De 16 de Julho a 18 de Janeiro, Serralves acolhe Alice Neel: Beautifully Imperfect, a primeira grande exposição dedicada à artista norte-americana em Portugal e a maior retrospectiva alguma vez feita na Europa. Reúne cerca de 90 obras, acompanhadas por documentação do arquivo da pintora e também por uma homenagem especial.
Alguns dos temas centrais da obra de Neel passam pela intimidade, o corpo feminino, a maternidade, o envelhecimento e a vida das comunidades marginalizadas, incluindo imigrantes, activistas queer e os habitantes do Harlem espanhol, bairro nova-iorquino onde viveu durante décadas.
Com curadoria de Inês Grosso, curadora-chefe do Museu de Serralves, a exposição reúne empréstimos de instituições como a National Portrait Gallery e o Whitney Museum of American Art, num conjunto que permite acompanhar a evolução da artista, desde os primeiros trabalhos de influência expressionista até aos intensos retratos que marcaram uma fase mais madura da sua carreira.
À margem da sua obra, a exposição é marcada por um espaço especial de homenagem à pintora. Vários artistas, escritores, músicos e outras figuras da cultura contemporânea (entre os quais Vhils ou Carminho) foram desafiados a escrever cartas dirigidas a Neel, como se ainda estivesse viva, como uma forma de reconhecer a influência da sua obra na actualidade. Cartas que estarão em diálogo com correspondência encontrada no arquivo da artista, num encontro entre o passado e o presente.
Entre as suas obras mais conhecidas encontram-se o retrato de "Andy Warhol" (1970), onde o artista surge de tronco nu, revelando as cicatrizes deixadas pelo atentado de que foi vítima; e "Autorretrato" ("Self-Portrait", 1980), em que se pintou nua aos 80 anos, e que é considerada um ícone da história da arte feminista. Uma pintura que condensa a forma como Alice Neel representou as mulheres ao longo da sua carreira, longe dos modelos idealizados que dominaram a história da arte e encontrando beleza na imperfeição.
Museu de Arte Contemporânea de Serralves. Rua D. João de Castro, 210. Seg-Sex 10.00-18.00/ Sáb-Dom 10.00-19.00. Bilhete normal: 24€
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