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"Vivian Maier - Antologia" está no Centro Português de Fotografia, de 27 de Março a 30 de Agosto, com mais de 140 imagens da fotógrafa norte-americana.

A escolha do Centro Português de Fotografia, instalado na antiga Cadeia da Relação, para acolher a maior exposição antológica de Vivian Maier em Portugal não foi um detalhe. “Há quem diga que nas prisões pode encontrar-se liberdade. Para mim, isso adequa-se muito à Vivian Maier. Ela estava presa no tempo em que viveu: era mulher, pobre, imigrante, vivia ao serviço de outros. Mas, ainda assim, encontrou a sua liberdade. A fotografia tornou-se no lugar onde podia construir a sua identidade, onde podia ser a Vivian Maier e existir livremente”, explica Anne Morin, a curadora da exposição "Vivian Maier – Antologia”. A partir desta sexta-feira, dia 27 de Março, e até 30 de Agosto, é possível admirar a obra de uma das fotógrafas mais extraordinárias do século XX.
Ao longo de quatro salas e 140 imagens, a exposição percorre a vida de Vivian Maier (1926-2009), a ama que, de forma discreta, dedicou décadas da sua vida à fotografia e construiu, sem ninguém saber, um vasto arquivo com mais de 120 mil negativos, impressões, filmes e gravações. Foi na década de 2000, que Vivian deixou as fotografias que captou ao longo da sua vida guardadas num armazém. Em 2007, dois anos antes da sua morte, os objectos de Vivian foram leiloados e levaram à descoberta acidental do seu vasto e inestimável trabalho fotográfico, que acabariam por ganhar um amplo reconhecimento internacional.
“É muito emocionante pensar que esta mulher tenha tido a necessidade vital de tirar fotografias sem nunca partilhá-las com ninguém. Provavelmente terá sido uma necessidade de ter uma relação com o mundo que passasse pela fotografia. Recordemos a pobreza imensa e a vulnerabilidade da sua vida, que, na realidade, pertencia à casta dos invisíveis, dos que não tinham lugar na sociedade americana de então”, destaca a curadora. A exposição inclui fotografias a preto e branco, mas também a cores, que mostram a capacidade da fotógrafa norte-americana de captar a beleza, o humor e a humanidade presentes no simples quotidiano, sobretudo nos encontros fortuitos com desconhecidos. Entre imagens da ruas, edifícios, crianças e auto-retratos cheios de significado, as imagens ajudam a narrar a beleza das coisas comuns.
A exposição organiza-se em sete secções: as cenas de rua, com fotografias da arquitectura e da vida urbana de Nova Iorque e Chicago; a infância, mostrando a grande empatia de Vivian Maier para com as crianças; o formalismo, que define a obsessão de Maier pelo acto de fotografar; e os retratos, com uma grande variedade de fotografias de mulheres, pessoas idosas e pobres. Depois, há ainda os auto-retratos da própria Vivian Maier, que oferecem a possibilidade de descobrir quem realmente era e constituem um dos núcleos centrais da sua obra, interpretados como uma busca persistente pela sua identidade; as fotografias a cores, captadas a partir de 1965; e ainda os Filmes Super 8, com vários vídeos filmados em eventos e lugares da rua.
Apesar de não ter vivido para ver a sua obra exposta e a percorrer o mundo, Anne Morin acredita que a fotógrafa estaria orgulhosa deste trabalho. “Penso que estará satisfeita onde quer que esteja. Existem tantas Vivian, como pessoas que a contemplam. Tu tens uma Vivian dentro de ti e eu também tenho uma Vivian dentro de mim. A Vivian é uma mulher sem rosto. Em vez do seu rosto há um espelho e nós reflectimo-nos nela. Todos os olhos que olham as fotos de Vivian fabricam uma própria imagem dela”, explica.
A primeira vez que Anne viu as fotografias de Vivian Maier foi em Nova Iorque, durante uma visita a uma galeria. “O responsável mostrou-me seis imagens dela que tinham recebido. Eu nunca tinha ouvido falar dela e quando vi as fotografias disse: ‘Tem de existir uma homenagem a esta mulher’. Era algo palpitante e muito bom. E aqui estamos”.
A exposição, que já passou por Viena, Berlim, São Paulo e Seul, é promovida pela Terra Esplêndida, em parceria com o Centro Português de Fotografia. Os bilhetes custam 10€ e parte da receita será destinada a Acreditar – Associação de Pais e Amigos de Crianças com Cancro, apoiando a missão da instituição no acompanhamento de crianças e jovens com doença oncológica e das suas famílias.
Largo Amor de Perdição (Porto). 27 Mar-30 Ago, Seg-Dom 10.00-19.00. 10€
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