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A 25 de Setembro, o Coliseu do Porto celebra os 90 anos do poeta declamador, com algumas das vozes que continuam a dar vida às suas palavras.

Poeta e declamador, José Carlos Ary dos Santos permanece na memória colectiva como um dos nomes mais ímpares da cultura portuguesa. A música foi uma parte central da sua obra e é autor de letras de canções que muitos reconhecem, mesmo os que não sabem o nome do homem que as escreveu. Ary dos Santos morreu em 1984, com apenas 46 anos, mas as suas palavras continuam a atravessar gerações e os nomes que integram o cartaz da celebração dos 90 anos do seu nascimento são prova viva disso mesmo.
Fernando Tordo e Paulo de Carvalho cantaram Ary e voltam a emprestar a voz às suas palavras em “Cantar Ary”, concerto de celebração marcado para 25 de Setembro no Coliseu do Porto. Aos dois veteranos da música portuguesa junta-se o fadista Camané, em representação do fado que também marcou a carreira de Ary (em vozes tão incontornáveis como Amália Rodrigues ou Carlos do Carmo) e mais duas vozes, femininas, de uma nova geração de músicos: Ana Lua Caiano e Carolina Deslandes prestam também homenagem ao poeta. Os temas terão novos arranjos da Banda Sinfónia Portuguesa, que dará música ao espectáculo.
“Lisboa, Menina e Moça”, “Os Putos” (composições de Paulo de Carvalho, a primeira com Joaquim Frederico de Brito) e “Estrela da Tarde” (com música de Fernando Tordo), interpretados por Carlos do Carmo; ou populares incursões pelo Festival da Canção – como a “Desfolhada”, na voz de Simone de Oliveira, ou a “Tourada”, composta e interpretada por Fernando Tordo –, são alguns dos mais sonantes temas do seu repertório. A parceria com Tordo, aliás, foi uma das mais profícuas e longas da música portuguesa, prolongando-se por mais de duas décadas.
O tema “Tourada”, em particular, ficou associado a um país em mudança. Escrita e interpretada em 1973, ainda durante o Estado Novo, a letra recorreu à metáfora para contornar a censura, um ano antes da Revolução dos Cravos. A política, de resto, estava muito presente na vida de Ary dos Santos. Filiou-se no Partido Comunista Português em 1969 e continuou a usar as palavras como instrumento de intervenção.
Destaque para “Poeta castrado, não!”, publicado em 1972 numa edição de autor, hino de resistência contra a opressão que conseguiu fintar a censura. É também famoso o seu longo poema político “As Portas que Abril Abriu”, de 1975, que celebra a liberdade conquistada com a Revolução.
A sua própria voz, inconfundível e teatral, ficou registada em vários discos, onde surge como declamador ao lado de nomes como Amália Rodrigues e Natália Correia. Algumas destas gravações podem ser encontradas no Spotify, uma oportunidade para ouvir o poeta a dizer os seus próprios versos e de outros autores, de Bocage a Luís Vaz de Camões e Padre António Vieira.
Coliseu do Porto Ageas. Rua Passos Manuel, 137. 25 de Set (Sex) às 21.00. Bilhetes: 10€-30€
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