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De Christos Papadopoulos a 'Os Maias': nove propostas para ver em 2026 no Teatro Municipal do Porto

Com 40 espectáculos, o Teatro Municipal do Porto traz várias novidades até Junho do próximo ano, entre teatro, dança, música e peças para o público mais jovem.

Ana Catarina Peixoto
Escrito por
Ana Catarina Peixoto
Jornalista, Porto
'Os Maias'
@ Graça Bilelo | A primeira adaptação coreográfica de 'Os Maias' é da Companhia Nacional de Bailado
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O novo ano está cada vez mais próximo e o Teatro Municipal do Porto (TMP) promete muitas novidades para ver até Junho de 2026 – tanto no Teatro Rivoli, como no Teatro Campo Alegre. No total, a nova programação conta com 40 espectáculos, incluindo cinco estreias absolutas e seis nacionais. As obras apresentadas, explica Drew Klein, director artístico da Direção de Artes Performativas da Ágora, “medem o pulso do nosso presente, enquanto regressam aos ecos que o moldaram”, com artistas que “entrelaçam passado e futuro, memória e invenção, ancestralidade e projecção”.

Entre as diversas sugestões para o próximo ano há desde espectáculos do conceituado coreógrafo grego Christos Papadopoulos – que integram três dias de entrada gratuita para celebrar os 94 anos do Rivoli – a adaptações coreográficas da obra de Eça de Queirós e ciclos de teatro sobre cenários de conflito. Espreite estes destaques da programação e, entretanto, vá dando uma vista de olhos nas melhores peças de teatro para ver esta semana no Porto. 

Christos Papadopoulos e três dias gratuitos no Rivoli

Entre os dias 23 e 25 de Janeiro, o 94.º aniversário do Teatro Rivoli vai ser celebrado com pompa e circunstância, com três dias de entrada gratuita e propostas para todas as idades. Destaca-se a estreia nacional do espectáculo My Fierce Ignorant Step, do coreógrafo grego Christos Papadopoulos, vencedor da primeira edição do Prémio Internacional de Dança Rose, numa performance que celebra a euforia de estar vivo.

Junta-se ainda a estreia de Lugares, um espectáculo do Colectivo Espaço Invisível, que resulta do encontro entre artistas profissionais que compõem o colectivo, a equipa do TMP e a comunidade sénior local, que desenvolveram uma peça que celebra o Rivoli. Na sexta-feira, dia 23 de Janeiro, Mia Tomé e Noiserv juntam-se num Concerto-poético: uma celebração, dedicado à cidade do Porto, a partir das palavras de Ana Luísa Amaral, Filipa Leal, Jorge Sousa Braga e Manuel António Pina. No dia seguinte há um DJ set do influencer Kiko is Hot.

'My Fierce Ignorant Step'
@ Pinelopi Gerasimou'My Fierce Ignorant Step', de Christos Papadopoulos

Frank

O monstro Frankenstein vai pisar o palco do Teatro Rivoli como encarnação de crenças e narrativas que nos aterrorizam e atraem ao mesmo tempo, usando a distorção como leitmotiv coreográfico utilizado para gerar material de movimento. Frank é uma peça de Cherish Menzo e do Theater Utrecht icw Dance On Ensemble, numa co-produção com o Teatro Municipal do Porto, e estreia em Portugal nos dias 8 e 9 de Maio. 

Os Maias

Um dos destaques desta programação acontece entre os dias 12 e 14 de Março, com a Companhia Nacional de Bailado a apresentar no Rivoli a primeira adaptação coreográfica d’ Os Maias, uma das obras maiores da literatura portuguesa. O espectáculo, coreografado por Fernando Duarte, propõe um bailado em três actos que revitaliza a narratividade na dança e dá uma nova vida a personagens e a questões intemporais abordadas pela ironia de Eça de Queiroz. A acompanhar, há música do pianista António Rosado e dos solistas da Orquestra de Câmara Portuguesa. 

'Os Maias'
@ Graça BileloA primeira adaptação coreográfica de 'Os Maias' é da Companhia Nacional de Bailado

Um inimigo do povo

Janeiro começa com um regresso: Marco Martins está de volta ao Teatro Rivoli nos dias 16 e 17 para apresentar Um inimigo do Povo. A peça parte da obra homónima de Henrik Ibsen e estabelece um paralelo com a operação especial de prevenção criminal que aconteceu na Rua do Benformoso, em Lisboa, no final de 2024, na qual cerca de 60 imigrantes foram forçados a permanecer encostados à parede com as mãos na cabeça. O espectáculo contou com investigação jornalística de Joana Pereira Bastos e Raquel Moleiro e propõe uma reflexão sobre “a forma como os media e os partidos políticos manipulam a imagem das comunidades migrantes”, refere a sinopse.

Inhale Delirium Exhale 

Depois de ter apresentado One Song: Histoire(s) du Théâtre IV, no 92.° aniversário do Rivoli, a artista belga Miet Warlop regressa a este teatro portuense nos dias 27 e 28 de Fevereiro para estrear em Portugal o espectáculo Inhale Delirium Exhale. Nele, a dupla composta por David e Stephen Dewaele, dos Soulwax, é acompanhada por um grupo de intérpretes e por mais de 4000 metros de seda, numa performance poética, poderosa e cheia de ironia.

Estreias para o público infantil 

A programação de 2025-2026 no Teatro Municipal do Porto vem também recheada de espectáculos dedicados ao público mais novo. Em Fevereiro, no dia 28, a Company Portmanteau vai apresentar no Teatro Campo Alegre, em estreia nacional, PYYKKI - Perdido na Lavandaria, uma peça inspirada na série fotográfica “Clothing Line Animals”, de HelgaStentzel, que explora o mundo extravagante do “surrealismo doméstico”, misturando circo, dança, marionetas e magia.

Já para o público dos 10 aos 12 anos, a pianista Joana Gama apresenta a 14 de Janeiro, também no Campo Alegre, E as flores?, o terceiro capítulo de uma trilogia que pretende sensibilizar para a importância da natureza e da arte. A fechar, Antiprincesas – Catarina Eufémia, de Cláudia Gaiolas, é apresentado no Rivoli no dia 21 de Março. Neste espectáculo, também dirigido ao público mais jovem, não há princesas nem castelos, viagens a reinos distantes ou criaturas nunca imaginadas, mas sim uma história de injustiças e resistência. A peça foi inspirada na colecção de livros “Antiprincesas”, sobre mulheres que marcaram a História. 

'PYYKKI— perdido na Lavandaria'
@ Luis Sartori do Vale'PYYKKI— perdido na Lavandaria', da Company Portmanteau

A Música no TMP

Além do espectáculo de Mia Tomé e Noiserv há muita música que continua a marcar presença nesta temporada do Teatro Municipal do Porto. Destacam-se o concerto de apresentação do disco de estreia de Raquel Martins, London, when are you going to feel like home?, a 28 de Abril, e do novo álbum de O Gringo Sou Eu, Receita do Povo, a 27 de Maio – ambos no Rivoli. Também em Maio, nos dias 8 e 9, Capicua e a Estrutura juntam-se no Campo Alegre para apresentarem o projecto Guerra & Paz, que propõe colocar crianças e adultos a reflectirem sobre a organização social, política e geográfica do mundo. Da Catalunha chega o duo experimental Los Sara Fontan, que no dia 30 de Janeiro sobem ao palco do Rivoli para apresentar um espectáculo acústico e experimental, a partir do violino, bateria, sintetizadores, pedais e objectos metálicos. 

Um ciclo sobre cenários de conflito 

Na programação está de volta também o ciclo "Make Trouble", desta vez com os cenários de conflito como fio condutor dos espectáculos. Nos dias 20 e 21 de Fevereiro pode assistir à peça Non-aligned newsreels – voices from the debris, da artista jugoslava Mila Turajlić, que aborda a descolonização, os movimentos de libertação e os países não alinhados; e AZIRA’I: Um Musical de Memórias, da artivista brasileira Zahy Tentehar, que traz um espectáculo biográfico sobre a sua relação com a mãe, Azira’i, a primeira mulher Pajé da reserva de Cana Brava, no Maranhão.

Ainda neste ciclo conte com a estreia nacional de Primavera, de Pedro Vilela e Alexis Moreno, com uma reflexão crítica sobre os ciclos contemporâneos de mobilização social, inspirada em acontecimentos marcantes; e também com a peça CANTAR, de Francisco Thiago Cavalcanti e do colectivo um cavalo disse mamãe, com oito intérpretes a resistirem e a sobreviverem num mundo violento e em colapso.

'Non-aligned newsreels – voices from the debris'
@ @ Shafeek Nalakath Kareem'Non-aligned newsreels – voices from the debris', de Mila Turajlić

Um espectáculo de dança a fechar a temporada

A temporada 2025/2026 do TMP encerra com o regresso da coreógrafa brasileira Lia Rodrigues, desta vez com o espectáculo Borda, nos dias 6 e 7 de Junho. A peça foi concebida no coração da favela da Maré, no Rio de Janeiro, e “tece um espaço sensível, onde as fronteiras se movem, são bordadas e inventadas à medida que os corpos se movem, questionando a forma como os corpos podem habitar as margens”, refere o TMP. 

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