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Doze anos já cá cantam. A nova carta do Reitoria é um regresso às origens

Com o chef Pedro Braga de volta, o restaurante no centro do Porto recuperou a divisão em duas cartas. Aos clássicos juntaram-se diversas novidades.

Ana Catarina Peixoto
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Ana Catarina Peixoto
Jornalista, Porto
Reitoria
DR | Reitoria
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Em 12 anos muita coisa muda nas cidades: as pessoas, o ritmo, as tendências e os negócios que vão e vêm. Mas há também muito que se mantém e que vai ajudando a construir a identidade de cada local. O Reitoria, por exemplo, tornou-se um clássico do Porto, muito devido aos seus pratos emblemáticos, das carnes grelhadas na brasa aos ovos rotos, passando também pelas focaccias caseiras. Para celebrar o seu 12º aniversário, o restaurante fundado por Frederico Azevedo decidiu voltar às origens com uma nova carta, feita em colaboração com o chef Pedro Braga, que está também de regresso à casa que em 2014 o lançou como chef de cozinha. 

A nova ementa tem como objectivo manter a identidade do espaço – uma cozinha mediterrânea, com forte influência ibérica e focada na genuinidade de sabores e no produto – e recuperar também a divisão do espaço que existia no início do projecto: no piso térreo e na esplanada, onde não são aceites reservas e os clientes são servidos por ordem de chegada, há focaccias, petiscos e uma proposta mais descontraída com pratos de partilha; e no primeiro piso, onde deve fazer reserva, destacam-se pratos mais consistentes e trabalhados, servidos sobretudo em doses individuais e num ambiente mais intimista.

Reitoria
ReitoriaReitoria

Um regresso a duas cartas

“Foi um novo desafio voltar a trazer um pouco da história do Reitoria para o dia de hoje, com mais inovação”, refere o chef Pedro Braga, que está também ao leme do Mito, o restaurante que abriu em 2018 e que ocupa um lugar no Guia Michelin. A nova carta, sublinha, mantém o foco na valorização da qualidade do produto, acompanhada de pratos mais cuidados e mais inovadores, mas sem esquecer os clássicos da casa.

As entradas da ementa do primeiro piso do Reitoria vão do pastel vegetariano de massa tenra (8€), ao regresso dos pimentos padrón com stracciatella e chilli oil (9€), até à saborosa tempura de couve lombarda com aioli de alho negro e cebolinho (12€), servida em forma de espetada. Não deixe de provar também o carpaccio de picanha de cura caseira, acompanhado de pickles (11€), com um processo de maturação que dura cerca de um mês e meio; e os revueltos de gamba rosa do Algarve (16€), numa espécie de tortilha desconstruída com batata, bisque de lavagante e um molho que nos transporta para o sabor das gambas ao alho. 

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DRArroz de forno de camarão selvagem

Já nos pratos principais, brilham propostas como a casarecce com molho de tomate assado, alcachofras, favas e stracciatella (23€), um reconfortante arroz de forno de camarão selvagem (26€) ou o tornedó de boi com puré de aipo, shitake e kale (28€). E por falar em pratos de conforto, o arroz malandro de pernil (44€ para duas pessoas) tem-se afirmado como uma das novidades mais procuradas. Da brasa, mantêm-se os cortes nobres de raças autóctones portuguesas como a Minhota e a Barrosã.   

Se ainda tiver espaço e vontade, há uma lista de sobremesas para provar na nova carta, como a tarte de limão merengada, com gengibre e manjericão (7€), o mil-folhas de pistáchio, com gelado de framboesa (8€) e ainda uma gulosa cookie de chocolate com caramelo salgado e gelado de avelã (10€). Para algo mais leve e mais rápido, o piso térreo do Reitoria tem várias focaccias disponíveis, bem como pratos de partilha mais descontraídos. “Voltamos agora às origens e voltamos agora a ter estas duas cartas diferentes. É um registo novo, com um ar mais descontraído”, sublinha Frederico Azevedo.

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DRCookie de chocolate com caramelo salgado e gelado de avelã

No princípio eram as focaccias

Foi no final de 2013 que o Reitoria abriu o primeiro restaurante do grupo, no centro do Porto, pelas mãos de Frederico Azevedo, formado em gestão hoteleira pela École Hôtelière de Lausanne, na Suíça. Foi, aliás, no país alpino que definiu, desde logo, o conceito que queria criar em território portuense, inspirado numa trattoria em Lausanne que visitou por diversas vezes. “Um amigo meu tinha lá focaccias e eu pensei que um dia gostaria de abrir um restaurante com este produto”, conta, acrescentando também que o conceito inicial do Reitoria era diferente daquilo que é actualmente. 

“Quando abri o Reitoria, o serviço era de tabuleiro, pedia-se ao balcão e não tínhamos copos de vinho. Funcionamos assim durante um mês e meio. Este piso aqui de cima nem estava operacional”, recorda o responsável. Mais tarde, Frederico percebeu qual seria o caminho e fez do Reitoria um dos clássicos da cidade, com um conceito que se dividia em dois pisos e que, durante a pandemia, acabou por se fundir numa só proposta. Quase quatro anos depois, a equipa sentiu que era altura de recuperar a identidade original de cada espaço e celebrar os 12 anos cheios de história.

Rua de Sá Noronha, 33 (Porto). Seg 19.00-22.30, Ter-Sáb 12.30-22.30, Dom 12.30-16.00

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